Por que Ciência se temos Deus?


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Outro dia, publicamos um artigo muito interessante sobre Deus e Ciência, chamado “Por que Deus de temos Ciência”. Hoje vamos falar sobre o mesmo assunto, mas olhando de forma contrária, pois se o mundo caminha a passos largos para a Era de Aquário, cura da AIDS e conquista espacial, porque então as pessoas lotam as casas de oração, fecham estádios de futebol e até mesmo matam em nome de uma fé, mitologia, ou mesmo “deus”?

Independente do que se acredita, existe um quase consenso de que o que nos torna diferentes dos outros terráqueos, é a capacidade de pensar sobre si mesmo (isso e o movimento de pinça realizado entre o polegar e o indicador). Essa capacidade nos ajudou a sobreviver às eras glaciais, construir ferramentas melhores, descobrir a agricultura, grandes navegações e o que mais quisermos colocar na conta.

Imagine então o que os primeiros homens pensavam sobre naturais, como chuva, estações do ano ou como “podia sair uma pessoa de dentro de outra”… Basicamente, tudo isso era causado por algum tipo de divindade, que foram evoluindo à medida em que as pessoas também evoluíram. Vamos tentar ilustrar esse conceito usando um pouco de mitologia grega (só porque ela é legal):

De acordo com a versão, se acreditava que o mundo surgiu do Caos, quando ele gerou o Dia e a Noite, que fez nascer a Terra e o Céu. Neste momento cada elemento dessa fórmula é o próprio deus. A isso damos o nome de animismo.

Em algum momento passou-se a entender que esses deuses tinham a forma de pessoas, e como tal, viviam da mesma forma que as pessoas, com suas crises, filhos, etc. São dessa época conceitos como Gaia, Urano, Zeus e os Olimpianos…

Nesse momento, as sociedades humanas se encontravam num ponto onde era interessante ter cidades maiores e mais fortes, e toda guerra por territórios também significava uma guerra entre os deuses, dando ao seu vencedor o status de deus mais forte, ou algo assim.

A expressão “Senhor dos Exércitos”, dada ao deus hebreu significa algo? Exatamente isso; assim como seu povo, nossa tradição nos deu um deus guerreiro, que além de se mostrar mais forte (a lei de Moisés fala resumidamente sobre questões de sobrevivência e higiene, entre outros pontos), contava sua versão da história, tornando em demônios os deuses vencidos.

Baal era um deus cujo nome significa algo como “senhor”. Depois de ser vencido se tornou no “Senhor das Moscas”, ou Baal-Zebube, ou Belzebu.

Para resumir essa parte chata, quando os judeus se fixaram e deixaram de ser nômades, seu deus também se transformou, deixando o título “soldado” passando a ser o “pastor”. Essa afirmação é afirmação é o começo do salmo mais famoso por exemplo.

Nossa história é recheada de casos assim, e psicologicamente falando, precisamos de um deus, ou se quiser trocar as palavras: nós precisamos acreditar em algo. Isso se explica no conceito de arquétipo jungiano, pois ao descrever como a nossa imaginação de forma, explica também que é formada segundo sua herança cultural, social, e também genética.

Por isso que ele explicou muitas coisas ditas modernas, segundo os mitos clássicos, porque a mitologia/religião está enterrada tão profundamente na nossa psique que é tecnicamente impossível removê-la.

Resta agora, qual deus seguir.

Comentários

  1. Marina Correa disse:

    Uma frase famosa de Ken Wilber:
    “Afirmar alguma coisa a respeito de tudo é o mesmo que afirma-la a respeito de nada.”
    Correa, acredito que esta frase justifica os nossos artigos.
    Muito bom o seu artigo. Valeu!