Por que o Buzz vai ser um sucesso
Eu sou um believer.
Ao menos no que se refere ao trabalho da Google ao longo desses anos, e principalmente seus dois lançamentos de maior destaque nos últimos meses, e que até certo ponto, voltados para o mesmo fim: Wave e Buzz.
Se voltarmos no tempo, lá na pré-bolha, lembraremos que o projeto de doutorado de dois estudantes da Universidade de Stanford sobre relevância e autoridade em si, não trouxe nada de novo, entretanto a forma como foi aplicado dentro daquele contexto, foi genial.
De certa forma, podemos dividir a história da sociedade plenamente conectada em antes e depois do Pagerank. Vejamos:
Antes do Pagerank (aP): as informações procuradas na internet, via Yahoo, não tinham uma organização clara, sendo mostradas dentro de grandes diretórios temáticos e sua ordem de classificação poderia ser desde a data mais antiga (ou nova) de cadastro, alfabética e até mesmo a financeira, onde quem pagasse mais, teria maior destaque na busca.
Os sites em geral não eram voltados para a linguagem de intertexto, e muitas vezes eram subcategorizados como simples outdoor, e ao contrário do tradicional, não tinham visibilidade alguma.
Depois do Pagerank (dP): descobrimos o que significa, no caso da busca, apresentar os resultados que as pessoas procuram, classificadas por grau de importância e além disso, vincular sua marca dentro desse contexto, tendo a certeza de qual é/será seu público alvo.
Em outras palavras, vimos ao longo dos anos, mudarem as formas clássicas de comunicação e principalmente, sua argumentação.
Aquele trinômio “emissor-receptor-mensagem”, dentro dessa nova ordem, está fadado ao seu final.
Outros fatores estão tão amarrados hoje em dia, como quantidade de dados processados, contexto e ambiente, fontes de referência, além dos próprios conceitos reformulados de relevância e autoridade.
Tanto que o foco da empresa hoje, é muito maior do que aquele imaginado, se tornando um canal de serviços orgânicos, que pelos seus serviços, sabe o que nós:
pesquisamos em texto e imagem, as notícias de destaque em cada jornal ou revista, nosso acervo de livros, nossos documentos e pesquisas acadêmicas, os lugares por onde andamos, o que pensamos, quais são nossos compromissos, nossa saúde, os nossos amigos, e o que conversamos com eles, o que compramos, o que assistimos, etc.
Justamente por isso, fazendo uma analogia que muitos já fizeram ao longo da História, se pensarmos na relação entre psicologia e estatística, teremos a exatidão das ações coletivas de populações muito grandes, como a do Império Galático.
Isaac Asimov, em sua trilogia Fundação (publicada entre os anos de 1951 a 1953), chamou essa ciência de Psico-história, e a explicou usando a analogia de um gás:
“um observador possui grande dificuldade em prever o movimento de uma única molécula de gás, mas pode prever o comportamento de massa do gás com alta precisão.”
Nesses termos, é válida a hipótese de que esses dois projetos de plataforma web – Wave e Buzz são na verdade a antevisão de uma tendência que pode vir a se tornar dominante. Mais uma vez, foco na transformação da sistemática de comunicação clássica.
É óbvio que juntar as principais características de serviços conectados de e-mail, instant messaging, wiki e social networking em um ambiente único como resposta à invenção de como seria o e-mail no século XXI, em uma plataforma independente do GMail, com um endereço de protocolo diferente foi um ato falho.
As pessoas simplesmente não vão deixar de usar um sistema para usar outro, que pouco entendem, e tendo que refazer seus cartões de visita.
Neste segmento, é que surgiu neste mês o Google Buzz, como uma ferramenta de transição entre o velho e o novo, na qual acredito terem acertado dessa vez.
Sabemos que sempre em frente à essas grandes mudanças, muitas vezes nos seguramos ao que nos é certo, e ficamos presos nisso. Mesmo assim, temos que ser pioneiros e determinar como será o trânsito de informações daqui em diante, sempre buscando respostas às perguntas que nos fazemos, em uma complexa rede de relacionamentos.
O futuro será daqueles que saírem na frente nessa corrida.
Este artigo pode ser um complemento do Por que vou continuar a direcionar meu Twitter para o Buzz: uma reflexão que vai além disso, via Alessandro Martins.
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