Porquê Deus se temos Ciência?


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Antes de começar, já adianto que este é um daqueles posts longos, mas nem por isso ele é chato (você que é preguiçoso e não gosta de ler, sinto muito).

Historicamente não existe um conceito capaz de definir “deus”. Os povos da Antiguidade se referiam a deus através da manifestação dos fenômenos naturais, a chuva, o vento, à noite, o dia, as estações e assim por diante. E daí surgem os rituais, os sacrifícios, as cerimônias, que tinham como objetivo agradar as benfeitorias recebidas pelos “deuses” atribuídos para cada fenômeno da natureza, ou como forma de não serem castigados.

Ao longo dos séculos, por meio das tradições primitivas, esses deuses foram ganhando contornos cada vez mais fortes até se estabelecer um conceito filosófico de religiões, significando aqui como grupos de pessoas, com métodos, regras e afins.

E assim essa evolução caminhou por muitos séculos em nossa história e se mantém até os dias atuais.

Essa é a História resumida. A parte longa, e principalmente a resposta para a pergunta fundamental sobre a vida, universo e tudo o mais, digo… Porque essa necessidade de deus afinal?

Antes de tudo, não é Deus, com letra maiúscula, da tradição judaico-cristã; mas sim o deus, baseado em tudo aquilo que as pessoas acreditam, e que de alguma forma, se sentem bem.

A ciência como conhecemos hoje surgiu como uma resposta ao buraco negro em que caímos durante a Idade Média, com o Renascimento, os estudos de Galileu, Newton e tantos outros, e a partir do século XX, seu maior salto nunca antes visto.

Na época era basicamente a relação entre metafísica, matemática e filosofia natural.

Ou seja, com a ajuda dos filósofos foi possível comparar as teologias, ou “deuses” com as descobertas humanas. Por exemplo: quem nunca se perguntou de onde vieram os fósseis de dinossauros, se os homens foram criados do barro a imagem e semelhança divina?

Ao se pensar nessa relação, os homens puderam também pensar sobre as relações entre este ou aquele deus, ou em outras palavras, foi criado o conceito de religiões, no plural.

Essa ciência comparativa das religiões emergiu, portanto, da objetivação das crenças religiosas estendidas ao Cristianismo – no inicio da Modernidade – servindo de base para as outras três: “Maometanismo”, “Judaísmo” e “Paganismo” – cada uma das quais elaboradas, em diversos graus, como uma versão inferior do paradigma original do cristão.

Em cada caso, as crenças e formas de vida de todos os povos tendiam a se reduzir ao conjunto de dogmas, e a característica principal de uma religião tornava-se aquilo em que seus seguidores acreditavam.

Quer dizer que o verdadeiro deus só existe, se as regras forem seguidas e mais, não há exceções.

Outro ponto importante que pode nos ajudar a entender essas relações entre a ciência e a fé é justamente que no segundo caso, as experiências são sustentadas por fatos transcendentais, ou mesmo, sobrenaturais e místicos.

Como explicar experiências que se formam lá no fundo do cérebro biomaterial, que por sua vez é responsável por criar reflexos sensoriais e motores, e com isso montar uma realidade única?

Mesmo que existissem outros níveis de conhecimento além do empírico-sensorial, eles não teriam meios de serem validados e, portanto, não poderiam ser levados a sério.

Eles seriam, na melhor das hipóteses, apenas gostos pessoais ou subjetivos e amostras idiossincráticas, úteis talvez como preferências emocionais, mas sem nenhuma validade cognitiva.

Dessa forma, Ken Wilber, em seu livro a União da Alma e dos Sentidos nos diz, “se a ciência deseja continuar a negar o Espírito” ela será forçada a recuar para a segunda objeção e não tentar negar todos os interiores, mas apenas alguns tipos deles, sob a alegação de que alguns interiores “desacreditados”, como por exemplo, a experiência espiritual, não pode ser verificada.

Se a ciência e a religião quiserem se integrar, cada uma terá de ceder pelo menos um pouco, sem, todavia, deformar-se a ponto de ficar irreconhecível. Pedimos à ciência que apenas se expandisse do empirismo restrito (experiência sensorial apenas) a um empirismo amplo (experiência direta, em geral), o que ela faz, de qualquer forma, com suas próprias operações conceituais, desde a lógica até a matemática.

Mas a religião também precisa ceder um pouco. E, nesse caso, ela deve abrir suas reivindicações de verdade à verificação direta – ou rejeição – pela evidencia experimental. A religião, como ciência, terá de seguir as três linhas de todo o conhecimento válido e basear as suas asserções na experiência direta.

Como vimos se quisermos integrar ciência e religião, cada uma delas terá que ceder um pouco, mas, é importante notar, não tanto que as torne irreconhecíveis.

Comentários

  1. Viin disse:

    aaaah foda demais!!
    muito bom o blog, adorei!