Posto de Saúde Chá de Caboclo Pé de Pato, Mangalô, três vezes


Dentre os diversos assuntos que as ciências sociais[bb] estudam, aqueles relacionados às necessidades básicas das pessoas sempre são vistos como mais delicados de se relacionar.

Isso devido à premissa básica de que a necessidade humana é algo infinito, e a cada momento são criadas novas necessidades. É relacionado diretamente ao desejo.

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respiração, saúde
Photo “Sometimes I forget how to Breathe” by Bronx

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Segundo Abraham Maslow, as necessidades se organizam de forma hierárquica, onde as de nível mais baixo devem ser satisfeitas antes das necessidades de nível mais alto.

Nesse ponto de vista, os assuntos que estão na base, daí o nome “básicos” representam aqueles as quais são necessários para que a vida exista de maneira dignamente possível.

Assuntos como alimentação, moradia e talvez as maiores deficiências das cidades de grande porte nos últimos anos, a saúde e o prolongamento da vida.

Falar de saúde pública, dependendo do meio, das políticas de governo, e porque não das próprias pessoas, é falar de uma necessidade totalmente dependente do poder monetário envolvido.

Quanto maior o valor do dinheiro que se investe, maior é a abrangência do serviço procurado.

O poder público, na forma do Estado, por sua vez tem a responsabilidade de prover essa necessidade de maneira universal, uma vez que (no Brasil), cuidar das pessoas é uma obrigação do agente público expressa constitucionalmente.

Nesse ponto, é bom pegarmos um atalho e resgatar alguns fatores históricos.

No Brasil-colônia[bb], saúde era aquela sustentada por boticários, ou seja, chás e ervas com que os estrangeiros aprendiam seus usos com os negros da terra, como eram conhecidos os índios.

Com nossa elevação para reino, e posteriormente Império, além dessa medicina da natureza, passaram a existir também apenas dois cursos, o do Colégio Médico-Cirúrgico no Real Hospital Militar da Cidade de Salvador e a Escola de Cirurgia do Rio de Janeiro.

Veja, até o início do século XX, não existiam profissionais que pudessem atender a demanda imposta pelos governos. Muito menos a medicina[bb] era vista como ciência.

Pessoas, cidadãos… Plano de saúde? O que é isso?

A saúde como política pública só passou a ser pensada como responsabilidade do Estado com a Lei Orgânica da Previdência Social, de 1960!

Enquanto isso, correndo por fora, a gente se lembra dos avanços médicos, suas descobertas e todo o empenho; estes nem sempre chegavam ou quando sim, somente às classes mais ricas da sociedade, que passaram a se organizar em busca de alternativas, formando o sistema de saúde privado ou civil.

Veja, temos então em vigor dois sistemas criados essencialmente para atender as necessidades básicas das pessoas: o sistema público e o sistema privado.

Um deles, é resultado de um imposições históricas contra os empregadores, jogado goela abaixo com regras e condições que nem sempre entendemos ou aceitamos.

Neste primeiro caso, os recursos (humanos e materiais) se perdem num emaranhado de teias burocráticas, onde poucos médicos conseguem deixar seus consultórios para fazerem novos cursos ou se especializarem.

No outro lado, temos as pessoas dispondo de parte de seus recursos, e em conjunto buscando alternativas eficientes e rápidas, máquinas de última geração e o que há de mais novo em pesquisa e desenvolvimento científico.

Só que esse paraíso é somente para os escolhidos, geralmente os que têm os bolsos mais recheados.

Como ficamos?

Este artigo é o primeiro de uma série que está sendo feita especialmente para o Vivendocidade, buscando compreender as diferentes formas de interação entre as pessoas que moram em grandes cidades, e suas necessidades. Não percam os próximos capítulos!

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2 comentários sobre “Posto de Saúde Chá de Caboclo Pé de Pato, Mangalô, três vezes”

  1. [...] que saúde e educação recebem de 5% a 3% respectivamente. Alguém consegue agora perceber, além dos fatos já citados, porque temos a saúde e educação que encontramos nos postos de saúde e nas [...]

  2. [...] já falamos aqui sobre saúde pública, e numa análise geral, coube às pessoas o investimento necessário no setor, [...]

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