Pulseiras do sexo

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Todo mundo já deve ter ouvido falar daquelas pulseiras coloridas, ou se não conheciam, ficaram conhecendo a partir da reportagem de TV sobre sua proibição pela justiça paranaense, de venda à menores de 18 anos.

Se você não sabe do que estou falando, um resumo super-ultra-rápido do Flash:

são pulseiras de borracha que de uma hora para outra viraram moda entre os adolescentes. São de várias cores que “representam” algo que a pessoa que conseguir arrebentar tem o direito de fazer.

O nome desse “jogo” é Snap, que é uma palavra de origem inglesa que pode ser traduzida como “quebrar”, “partir”, “arrebentar” e os prêmios possíveis são:

  • Amarela – abraço
  • Rosa – mostrar o peito
  • Laranja – dentadinha de amor
  • Roxa – beijo com a língua – talvez sexo
  • Vermelha – lap dance
  • Verde – sexo oral a ser praticado pelo rapaz
  • Branca – a menina escolhe o que lhe apetecer
  • Azul – sexo oral a ser praticado pela menina
  • Preta – sexo com a menina na posição do missionário (papai-e-mamãe para nós)

Note que o significado e as cores podem variar de acordo com a região; e seu baixo custo faz com que sejam acessíveis em praticamente todos os lugares.

A discussão entretanto, não é a possibilidade sexual que a pulseira incentiva, até porque as pessoas vão transar com ou sem elas. Até mesmo a possibilidade de usá-las sem este significado, como uma espécie de enfeite.

Costumo dizer que, fazendo uma leitura das últimas décadas, que os pais e mães (jovens) do novo milênio são aquelas crianças que viram pela primeira vez seus pais se separarem ou mesmo sua mãe indo para o mercado de trabalho, resultando em (não no mal sentido) educações segmentadas fornecidas por babás, professoras, vizinhos ou mesmo no dia a dia das ruas.

De certa forma, ouso afirmar que a responsabilidade básica de educação acabou sendo outorgada ao Estado, saindo da competência doméstica. O que é uma situação péssima.

Não acho que seja responsabilidade da justiça permitir ou não o que quer que seja, mas sim uma obrigação familiar, e os pais e mães, avós ou parentes em geral que têm contato com jovens devem, antes de mais nada, aceitar duas premissas básicas:

1) vivem em outro planeta, se comparado com suas próprias vivências;
2) sem vencer a barreira do preconceito, não existirá diálogo franco e honesto, sobre qualquer tema, inclusive o sexo.

Vocês não precisam ser amigos dos seus filhos e alimentandos, precisam ter atitudes dignas e de acordo com aquilo que desejam para eles.

O relacionamento diário (dedicação, cumplicidade, etc) faz o restante.

3 ideias sobre “Pulseiras do sexo

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  2. Lola

    Mais um post impecável. Mas acho que os pais atualmente, ou boa parte deles, não se interessam mais em ter um relacionamento de qualidade com os filhos e dar orientações necessárias ou não tem mais tempo pra isso. Não estou dizendo que a culpa é totalmente do estilo de vida moderno, que obriga todo mundo a passar muito tempo fora de casa, produzindo dinheiro. É culpa também, eu acho, da falta de noção da seriedade que é educar uma vida, parece que é a coisa mais fácil do mundo, então “vamos ter filhos, porque é bonitinho ter filhos”, depois se dão conta de que não é como brincar de casinha e daí não sabem mais o quye fazer. Sem contar os que são gerados sem planejamento nenhum. Mas eu pessoalmente conheço muitas pessoas que já vêem os filhos crescendo na horizontal: saem de casa, eles estão dormindo; chegam em casa, eles estão dormindo. Como se cria relacionamento e estreita laços desse jeito? Muitos até já jogam pra escola a responsabilidade que é deles. Tenho muitas amigas professoras e o que mais elas reclamam com relação aos “alunos problemas” é que os pais são chamados no colégio só pra chegarem na frente de orientadores, professores e direção pra falar: “Sinceramente eu não sei mais o que fazer com meu filho.” Daí esperam que os funcionários da escola dêem um jeito numa criança ou adolescente que nem quem gerou e pariu consegue dar. Há alguns anos trabalhei no Juizado da Infância e da Adolescência aqui na minha cidade. Nunca imaginei ver o que via lá. A Pousada do Menor Infrator era ao lado e cansei de atender mãe desesperadas que chegavam dizendo: “Quero que a juíza mande prender meu filho aí na pousada, porque eu não sei o que fazer mais com ele.” ou ” Prenda minha filha, porque não adianta mais bater nela e dar castigo, o jeito vai ser prender, porque se eu for bater mais eu vou findar matando logo.” Olha o nível de relacionamento e de educação. Jogam pra escola e pra justiça a obrigação que é primeiro deles. Se com pais presentes, carinhosos e dedicados já não é 100% garantitido que um filho vire cidadão de bem, imagine em situações como essas.

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