Reflexões sobre dar e receber conselhos
Artigo traduzido do autor e empreendedor Ben Casnocha, de seu blog.
Tyler Cowen, ao falar sobre a economia do conselho, faz duas afirmações interessantes:
“Você não saber o que uma pessoa realmente pensa até ouvir os seus conselhos. Ao longo dessas linhas, se você realmente quer saber o que uma pessoa pensa, peça um conselho que ele ou ela vai se abrir.”
e
“Muitas vezes, não podemos confiar nas pessoas até ouvir seus conselhos. Suspeitamos que, em qualquer caso, desejam nos controlar, e até sabermos o que têm em mente, continuamos desconfiados. Algumas vezes é necessário dar um conselho – mesmo inútil – para estabelecer um laço de confiança.”
Tenho pensado bastante sobre dar e receber conselhos. A seguir listo 14 pensamentos sobre esse assunto. Suponho que o #12 é o melhor de todos (dito por Chris Yeh).
1. As vezes as pessoas pedem conselhos, mas na verdade só querem sua atenção. Pessoas gostam de falar, sobre qualquer assunto, e geralmente o que realmente querem é alguém para ouvir o que têm para falar, não necessariamente, em busca de uma solução.
2. Supervalorizar as decisões mais difíceis e dar menos valor às mais fáceis. É o que dizem. Quando vamos entrar numa faculdade, em geral recebemos várias opiniões sobre o que fácil, difícil… Mas essa diversidade de opiniões acaba mesmo é nos confundindo. Por outro lado, se perguntam onde vamos almoçar, cada um tem algo para somar à decisão, o que pode ser muito útil.
3. “Só começar” é o conselho mais popular para novos empreendedores. Mas é totalmente discutível.
4. Conselho é uma forma de nostalgia. Por esta razão, devemos ver como uma oportunidade para conhecer mais de perto a mente de nosso interlocutor, e menos como algo de útil a nós mesmos.
5. “Paixão” e “Voz” são dois dos mais frequentes e mais vagos temas de um conselho. E ambos são terrivelmente incompreendidos.
6. Cuidado com conselhos profissionais. Ou seja, alguém que seja um conselheiro profissional de carreiras. É melhor alguém que esteja com a mão na massa.
7. Ao dar conselhos, inclua a palavra “porque”. Aumenta a absorção eventual, independentemente do que você diz.
8. Quando der conselhos, dê opiniões e deixe a pessoa escolher o melhor caminho. As pessoas odeiam quem dita o que devem ou não deixar de fazer – e precisam sentir-se motivadas a tomarem decisões por si próprias.
9. Quando procurar um conselho, escolha um especialista. Sua mãe ou seu melhor amigo podem desejar o melhor para você, mas podem não saber do mundo dos negócios por exemplo. Um especialista domina o objeto, mas não conhece seu lado pessoal, é, portanto isento. Conclusão: peça primeiro para o especialista para obter um modelo e avaliar suas opções, depois consulte seu fiel, que te ajudará a entender qual escolha lhe faz mais sentido.
10. Pessoas que são “competentes inconscientes” não são as melhores para se pedir conselhos. Verdadeiros especialistas muitas vezes não conseguem explicar o que fazem e o porquê.
11. Linha de ação é o melhor conselho. Dizer para alguém “falar mais” numa reunião é menos útil do que falar para “debater ao menos três assuntos” da pauta, por exemplo.
12. Quando dá conselhos, é mais fácil ser fã de uma brasa do que encontrar um novo incêndio. Então escute cuidadosamente a situação para encontrar algum aspecto que pode se sustentar e enfatizar. Isto resultará em melhores resultados, ao invés de tentar incluir uma ideia completamente nova, ou algum conselho que já não tenha sido tentado.
13. Mesmo que saiba que a outra pessoa é tendenciosa, estudos mostram que suas opiniões não podem ser descartadas. Seu mecânico pode não te dar um desconto no trabalho só porque te disse sobre como vender mais, por exemplo.
14. Última dica: para quem está fora, é mais fácil dar conselhos do que quem está dentro, mas não menos impossível.
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