Sexta Feira Poética: Teatro Épico


ou “Eu sou muito cara de pau por postar a coluna da sexta-feira na quarta”.

Bertolt Brecht

O Teatro Épico do dramaturgo alemão Bertold Brecht (1898-1956) nos ensina que as interpretações são fruto de uma composição, no sentido social, da atitude dos atores, do cenário, da música, dos sons e até do silêncio, montando assim elementos que causarão o efeito desejado, e por continuação, o impacto devido.

Esse entendimento, que é exatamente o oposto (e também uma forma de crítica) ao envolvimento do expectador em uma manta dramática, fazendo-o sujeito passivo em relação ao mundo, incapaz de enxergar valores e o que deve ser modificado.

Mas qual o motivo de falarmos tudo isso?

As mídias, sobretudo aquelas de maior impacto, como Rádio e Televisão, e nos últimos anos a Digital, se valem dessa dramatização para apresentar seus assuntos, com maior ou menor intensidade, causando muito ou pouco escândalo, aproximando o fato ao seu público.

É por exemplo aquela matéria do Globo Repórter, que ao tratar de um tema macro, talvez a saúde pública, escolhe um indivíduo genérico e segue seus passos, mostra sua família, quando sai de casa, pegando o transporte público, as filas para conseguir um atendimento, seus medos, desejos, finalizando com o ápice da crítica, e concluindo com uma trilha sonora edificante e sentimental, cenas em close-up

Essa maneira dramática de contar as histórias, é mais comum do que se pensa, e é talvez a principal ferramenta de escrita utilizada pelos autores em seus blogs, e se fizesse essa acusação simplesmente como forma de criticar o trabalho realizado pelos nossos vizinhos digitais, estaria cometendo um deslize sem tamanho.

Entretanto, essa não é a forma que vocês estão acostumados a ver por aqui, simplesmente não faz nosso estilo editorial (senão não estaria neste momento conversando com você, leitor).

O que insistimos, basicamente, é mostrar formas de despertar dessa catarse a qual acreditamos seriamente ser o intuito das grandes mídias – aquelas de massa.

lost, jack, igreja

O Teatro de Brecht influenciou e influencia artistas no mundo todo. Por aqui teve forte impacto junto ao movimento modernista[bb] e nos escritos de Oswald de Andrade[bb], mas não podemos deixar de citar o russos Vladimir Maiakovski (1893-1930), poeta cubo-futurista, e o cineasta Sergei Eisenstein (1898-1948), e o genial Charles Chaplin (1889-1977).

Gostou do Post? Leia outros relacionados:

Deixe um Comentário