solidão urbana


Inspirado no twitter do psicanalista italiano radicado no Brasil, Contardo Calligaris[bb] em post compartilhado via Google Reader, que fala sobre a solidão urbana, algumas palavras.

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Ladeira Porto Geral, vista da Rua Vinte e Cinco de Março – Centro de São Paulo. Foto por Fernando Stankuns
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Antes de tudo, é preciso separar os conceitos de solidão e de sozinho. Uma pessoa que está sozinha, geralmente não se relaciona com as outras, quase como se estivesse numa ilha deserta, enquanto o solitário, nem sempre mora nessa ilha, podendo estar envolto à um mundo de gente e mesmo assim não se sentir querido por nenhuma delas.

Note que eu usei a expressão “se sentir querido”, então é possível na maioria dos casos que ele seja amado, mesmo achando que não.

Fato é que o modo de vida das grandes cidades, aos olhos de quem não mora ali, aquela quantidade de prédios e ruas, com seus carros passando malucos, buzinas, pessoas que se trombam nas calçadas, o imediatismo e todas essas características contribuem para que cada um de nós viva em seu mundo separado, isolado.

Quase sempre, na visão do imigrante, nós somos malucos. Talvez eles estejam certos.

O próprio Contardo, aliás o nosso muso, já falou um pouco disso em suas “Crônicas do Individualismo Cotidiano[bb]” (Editora Ática, 1996), através de um mosaico sobre adolescência, exclusão social, escolhas políticas, moral, violência, conflito de culturas, casamento entre outros, tornando o cotidiano do morador da metrópole, numa verdadeira colcha de retalhos, que cresce a cada dia, que se transforma a cada dia.

Arrisco em afirmar que a pessoa que mora nesse tipo de cidade, a cada momento busca sua afirmação, deixando de ser as vezes um número de telefone, um endereço, um cliente em um balcão, um pedestre de uma rua qualquer, se transformando no Paulo, Maria, Antonio…

Mesmo escondido, algumas pessoas aceitam os convites, “porque ali pode estar seu grande amor” ou mesmo compartilhando uma tarde de sol sentados na grama do parque.

Ainda há aqueles que deixam suas gaiolas vazias, na espera de que a pessoa especial sempre vá retornar.

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