Nesse dia 5 de outubro fui pego de surpresa pela notícia espalhada pelos quatro cantos do Twitter sobre a morte de Steve Jobs. Foi uma perda para a tecnologia da informação, uma genialidade que demorará para ser encontrada em mesmo grau.
Jobs era, antes de tudo, um visionário. De uma placa de TV ele fez o primeiro computador pessoal, o Apple I. Lançou em seguida o Apple II, o primeiro sucesso comercial da Apple Inc. Em 1984 a Apple lançou o Macintosh, com direito a comercial no Super Bowl remetendo ao Grande Irmão do clássico livro 1984. A criatividade de Jobs fez surgir o Lisa, um computador com tudo o que atualmente equipa nossos PCs — mas vinte anos antes. Foi o primeiro grande baque, depois da topada do tablet Newton. Foi demitido da empresa que fundou, e depois voltou triunfante para reerguê-la das cinzas (morra de inveja, Jânio Quadros). Lançou o iMac, o iPod, o iTunes, a iTunes Music Store, o iPhone, o iPad, o iOS. Quantos mais iWhatever haviam naquela cabeça? Nunca saberemos.

O que sabemos é que Jobs nos deixou um legado duradouro, e não falo da Apple, do Mac OS ou dos outros produtos. Falo de sua visão sobre design, sobre beleza e de como isso deve ser usado para deleite do usuário. Se antes de sair ele criou um sistema operacional fácil e intuitivo, o Macintosh System, depois de sua volta ele criou um sistema operativo elegante, o Mac OS, que hoje serve de base para os aperfeiçoamentos do Ubuntu Linux. E não apenas um sistema operativo, mas todo uma gama de produtos tão integrados quanto os da Apple.
Jobs fará uma falta danada quando a Apple lançar seus novos produtos. Isto é certo. Mas, mais certo ainda é que seu espírito visionário ainda estará em cada um deles, e cada um deles trará em si um pouco de Steve Jobs.

Dizem que na criação do mundo, Deus criou o homem, ele descobriu a palavra e inventou a conversa. A mulher descobriu a conversa e inventou a fofoca, o homem e Deus não tiveram mais sossego…
Ontem lançamento do iTab, o tablet da Apple.
Hoje, um dia após o lançamento, praticamente todas as centrais de notícias, blogs e pessoas do ramo em quase todos os cantos do planeta deram o devido destaque, seja positivo ou negativo. Teve até uma chamada no Jornal Nacional, um dos, senão o, noticiário de maior audiência do Brasil.
Uma questão prática, um dispositivo eletrônico lançado por uma empresa de tecnologia sozinho causaria esse estardalhaço todo?
O que vemos aqui não é este evento isolado, mas um ciclo que tem se repetido há muito tempo, que é a geração e manutenção do consumo.
Em poucas palavras, a sociedade de consumo em que vivemos é quem alimenta esses ‘cases’.
Desde os tempos do pós-segunda guerra, quando os norte-americanos se destacaram no controle político, social e econômico, cada vez mais as pessoas são convidadas a descobrirem necessidades que antes não existiam, e que de um dia para o outro, se tornam indispensáveis.
Ora, sabemos por Henry Murray, que “como a pessoa procura diminuir o estado interno de déficit, uma necessidade funciona como um impulso para determinados comportamentos. A intensidade de uma necessidade determina a intensidade do comportamento a que ela está ligada: quanto mais intensa a necessidade, mais intensa a ação”.
É por isso que as pessoas ficam malucas em eventos como o da Apple.
As empresas (governos, entidades, pessoas) sabendo disso, a cada ano que se passa, se tornaram especialistas em oferecer “algo que não existia antes e que hoje você não é capaz de viver sem”.
Dessa maneira, estamos em constante conflito, numa batalha contra nós mesmos, e que somos logo na partida, somos perdedores.
KAHNEY, L. The Cult of Mac. San Francisco: Oreilly & Associates Inc., 2004 (comprar)
MURRAY, H. A. Explorations in personality. New York: Oxford University Press, 1938 (texto integral) – em inglês.