Eu deveria escrever sobre o resgate dos mineiros do Chile, a comoção nacional que se formou em torno do desabamento da tal mina, isolando os 33 seres humanos há quase 700 metros abaixo do solo, quase no quarto do Senhor das Moscas (uia!).
O motivo para eu não querer escrever nada sobre isso é exatamente a fragilidade daquilo que as pessoas se interessam em cada momento, como o tsunami ou o terremoto no Haiti, ou mesmo mais próximo de nós, o acidente nas obras do metrô de São Paulo e o desabamento em Angra dos Reis.
Simplesmente porque nos acostumamos a procurar e a viver em função do acontecimento espetacular que acabou de acontecer.
O anterior? Esqueci.
Até porque eu já escrevi sobre esse mesmo assunto, no artigo “A Terra das Oportunidades“
Há alguns anos no Brasil, ou você era a favor do governo, ou você era de esquerda. Existia uma definição muito clara do que de fato significava estar em um desses lados, que acabou se perdendo no tempo, por mais que muita gente teima em seguir essa cartilha.
Para entendermos esse conceito (ou a perda dele), é preciso ter em mente a defesa que a historiografia faz dos pensamentos revolucionários, separando aquilo que é teórico, e daquilo que é histórico.
Em outras palavras, no papel é tudo lindo e maravilhoso. E de fato é mesmo.
O que ocorre em termos práticos é que aquele grupo que dá o golpe de estado prende e isola seus carrascos, e coisas do tipo, acaba impondo sua vontade além de alimentar suas necessidades imediatas.
Com o tempo, sabemos que essas necessidades nunca acabam, pelo contrário.