Nome Próprio: Você é apenas uma sombra de você mesmo
Ontem assisti à sessão de Nome Próprio na sala 3 do Espaço Unibanco, e a verdade é que as sensações foram tantas que foi difícil não escrever ali mesmo, durante os créditos. Pois de fato, assistir a esse filme é uma experiência extensa.
Como é seu mundo quando você tem apenas a sua imagem?
O filme, que é baseado nos escritos de Clarah Averbuck, na interpretação de Leandra Leal, com participações de Juliano Cazarré, Rosane Mulholland e Milhem Cortaz, sob a direção de Murilo Salles (Nunca Fomos Tão Felizes e Como Nascem Os Anjos), nos traz uma São Paulo solitária e ao mesmo tempo cinza, sempre aos olhos da personagem, mas também como acompanhante desta.
Talvez por conhecer bem este mundo do filme, não tive problemas em transferir algumas realidades da tela para alguma experiência pessoal, entretanto imagino que a experiência de um telespectador que não sabe como essa terra sem lei – que é a internet funciona, por ver no filme, mais uma estória da menina que sai do interior e ver chorar escondido na metrópole.
Nome Próprio não é isso, é sim uma viagem distópica em busca de você mesmo dentro deste mundo. Que sim é cruel, que traz prazeres momentâneos e superficiais, e a relação do que você faz, ou melhor, como você se insere neste mundo. Neste caso, através das personagens (quem também se lembrou dos inúmeros perfis de orkut, facebook, myspace, e similares?)
Estamos como nascemos, e não temos nada
É importante ressaltar neste filme, o meio ambiente que a personagem Camila vive, e também como ela mesma vive. O primeiro, quase sempre vazio, de poucos pertences que ela mesma vai deixando pra trás ao longo do filme, restando apenas seu computador, como um portal de acesso ao novo mundo onde tudo aquilo pode ser diferente, só que ela neste mundo, está nua.
E é assim que produz seus melhores trabalhos, sem máscaras, ou regras impostas, incapaz de escolher onde quer estar ou o que quer ser. Aqui, somente o hoje é importante.
Se você espera um filme comum, de uma estória idem, não vá ao cinema. Nome Próprio é a estória da transformação do ser urbano para o ser cibernético, só que nos mostra da forma mais dura possível.

Ficha Técnica
Título Original: Nome Próprio
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 130 minutos
Ano de Lançamento (Brasil): 2008
Site Oficial: www.nomeproprioofilme.com.br
Estúdio: Cinema Brasil Digital
Distribuição: Downtown Filmes
Direção: Murilo Salles
Roteiro: Elena Soarez, Murilo Salles e Melanie Dimantas, baseado nos livros “Máquina de Pinball” e “Vida de Gato”, de Clarah Averbuck, e em textos publicados pela autora em seu blog pessoal
Produção: Flávio Frederico, Suzana Villas Boas e Lionel Combecau
Música: Sacha Amback
Fotografia: Fernanda Riscali e Murilo Salles
Direção de Arte: Pedro Paulo de Souza
Figurino: Mariana Pamplona Iavelberg
Edição: Vânia Debs




