Neste momento, enquanto as francesas comemoram sua classificação frente a Inglaterra para as semifinais da Copa do Mundo na Alemanha, sou obrigado a reconhecer que hoje em dia, é através delas que podemos apreciar o verdadeiro futebol, aquele moleque, jogado com bola de meia na rua.
No mundo machista em que vivemos, muitos eram (e ainda são) contrários à nova modalidade; que lugar de mulher não é no campo; que o esporte é muito bruto; e outras alegações. Por isso mesmo que as coisas acontecem com muito mais dificuldade para elas.
Com a falta de dinheiro, que parece sobrar do lado dos homens, as meninas são obrigadas a mostrar serviço, se preocupando muito mais com o que importa, e menos se vão jogar no super time A, B ou C.
Hoje, enquanto os cabras sofrem para fazer gols na Copa América argentina, temos a melhor jogadora do mundo, e outras que teriam vaga garantida na seleção do Mano e só não as tem por um fator biológico, já que talento, há de sobra.
Enquanto os cabras se preocupam com seus contratos e cortes de cabelo, as meninas vencem os jogos, o preconceito, a falta de apoio, e qualquer barreira que (ainda) existe.
Que sirva de exemplo!
Analisando as notícias da última semana, temos a certeza de que – naquilo que é conveniente – queremos esconder nossos atos de tudo e todos aqueles que possam ameaçar o status quo vigente. Ou então o inverso, quando mostramos pra todo mundo.
Neste sentido, a tuitada do amigo DeLuCa é bem pertinente:
Num mundo onde a facilidade e a vontade de compartilhar coisas, o que tem acontecido em torno da construção dos estádios de futebol para a copa do mundo é um verdadeiro paradoxo.
É muito bonito termos um governo que afirma ser democrático em todos os sentidos, com eleições diretas e todo um processo considerado dos mais evoluídos do mundo. Não tenhamos dúvida disso.
Só que também faz parte da democracia o confrontamento, a fiscalização que todos deveriam fazer com seus escolhidos, se trabalham de acordo com o que queremos, como gastam nosso dinheiro, e essas coisas.
Se para termos o direito de marchar em favor da maconha, de lotarmos estádios para prestigiarmos o espetáculo ou sei lá pra quê, vamos de boa vontade. Qual a dificuldade que temos em conferir a conta do governo?
Na época da faculdade se dizia em pão e circo. Mas depois de anos ficamos barrigudos e não aguentamos mais o show do palhaço.
Só se nós mesmos fomos ele.
Ontem durante o Fantástico (ou hoje, quando escrevo este post) a sociedade brasileira tomou nota de mais um programa assistencial do nosso governo, o Brasil Sem Miséria.
Na apresentação, na interpretação do ator Caio Blat, vemos o quanto crescemos e como a pobreza nos é prejudicial, vemos que as realidades das cidades e dos interiores (no plural, de um país multi-diversificado) são bem diferentes entre si, com visões únicas e objetivos distintos, etc…
Tudo isso é verdade, não somos malucos de negar o tamanho do Brasil, tanto que publicamos de tempos em tempos uma série chamada “Viagem pelos Estados”, onde tentamos mostrar, em poucas palavras, as realidades que estão distantes de nossos monitores.
O que não nos foi apresentado, por outro lado, é quanto vai nos custar tudo isso. Sim amigos, alguém tem que pagar a conta, e como o brasileiro padrão gosta de já ir arriando as calças…
É a mesma coisa na construção do estádio paulistano para a copa do mundo, cujo orçamento já passa do bilhão de reais, ou quem sabe, na tentativa de aumento dos número de estados da federação.
Seja Tapajós ou Carajás, a criança aprende que um bolo ainda vai ter o mesmo tamanho, mesmo que seja cortado em muitas fatias. Mas como o pessoal do vice reino brasiliense estudou na cartilha de Fernando Haddad, este bolo aumenta na mesma proporção da quantidade de fatias.
E a conta está cada vez mais cara, uma vez que só começamos a trabalhar para nós mesmos neste mês, e justamente para pagarmos a segurança privada, a saúde privada, a escola privada…
Nosso país é lindo, mas ô povinho que mora aqui – já contava uma piada dos anos 60.