Nomes como os de Muammar Khadafi e de Hosni Mubarak eu ouço falar desde a época da Guerra do Golfo (a primeira, nos anos 90). E alguns usavam os exemplos deles de uma forma entusiasmada, quase orgulhosa. Mas eu não entendia direito o que cada coisa significava.
Do Egito eu conheço as pirâmides, por fotos e através do “Eram os Deuses Astronautas” (Estou voltando ao passado, porque hoje temos Google Earth). A Líbia eu mal sabia onde ficava. Líbia para mim era uma moreninha, com a pele da cor do pecado, olhos e cabelos bem pretos, que morava na minha cidade natal, filha de uma família influente.
E o sentimento de hoje é realmente voltar ao passado. Se o que está ocorrendo hoje, acontecesse em 1990, poucas pessoas ficariam tocadas, ou mesmo comentariam sobre o assunto. Naquela época, a notícia andava a passos de tartaruga.
Mas hoje virou um inferno. recebo dezenas de emails pedindo para assinar alguma coisa contra o Khadafi. Mas, com todo respeito, Khadafi é um problema dos líbios. Um povo que se permite ficar mais de 40 anos sendo controlado por uma única pessoa e só agora perceberam o quanto isso é ruim?
Não pense você, nobre leitor, que o Brasil é diferente porque temos uma “Democracia”. O Brasil saiu da ditadura militar para entrar em uma ditadura democrática, mantida por PSDB-PT – que para mim são farinha do mesmo saco e que já dura 16 anos. Os egípcios acordaram depois de 30 anos, o líbios depois de 40 anos.
E você, brasileiro, quando vai acordar?
Desde ontem, o Brasil sabe quem são os sucessores para os cargos de Deputados e Senadores, quem foi eleito Governador ou mesmo em quais haverá segundo turno.
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Se é uma coisa que a urna eletrônica nos trouxe, foi agilidade na contagem de votos.
Lembro que anos atrás, junto com os mesários, também eram convocados os apuradores, que praticamente moraram nos colégios, já que só podiam sair de lá, após terem contado todas as cédulas, que pasmem, eram feitas de papel.
E as recontagens? Bastava um candidato qualquer impugnar o resultado, que o juiz da vez obrigava a uma nova verificação dos votos, e isso durava um bom tempo.
Era o tempo da eleição com jeito moleque, que brincava de bola de meia na rua…
Nosso sistema democrático ainda precisa de muitas reformas, isso é um fato, mas não podemos questionar que em um de seus principais mecanismos, a eleição como um conceito genérico, acertamos em cheio.
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Com o avanço da campanha eleitoral pude perceber que nossa democracia sofre, na melhor das hipóteses, de uma crise de identidade.
Vislumbrando o cenário político, podemos tentar aquarelar para o nobre leitor um Brasil “ao pé-da-letra”.
Tirando os anos conturbados do Sarney e a pataquada do Collor, com posterior discrição do Itamar Franco, tivemos 8 anos de governo PSDB e agora 8 anos com o governo do PT. E se continuar assim teremos mais 4 ou 8 anos de PT ou PSDB, não necessariamente nessa ordem. Uma alternância ditatorial no poder. Principalmente porque considero PT e PSDB uma coisa só, “farinha do mesmo saco”, como costumeiramente dizemos lá o interior.
Será que isso é mesmo o exercício da democracia e da liberdade? Algumas coisas mudaram em nosso país, mas a ditadura continua e parece não ter prazo para acabar.
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“bas nôite cumpade!” é uma foto de Eliel Freitas Jr.