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Textos com Etiquetas ‘desilusões’

Eu, seu

19, junho, 2008 Carlos Filho 1 comentário

Um anjo, uma rosa,
Um rouxinol, uma deusa,
Uma estrela, uma artista.

Algumas eu não possuo
Outras não desejam…

Logo eu, ansioso que sou
Sem destino, sob suspeita.

Qual o ponto em comum entre vocês?

Se eu não as vejo
Ou outro alguém se aproxima:
Rosto corado, coração machucado.

Pensamentos de um dia cinza tão despenteados
Soltos jogados,

Como num dia de vendaval…

O Batizado

6, março, 2008 Carlos Filho Sem comentários

A encontrou dormindo no sofá. Tinha ido a uma festa ontem e literalmente desmaiou, pelo estado em que estava. Se aproximou e passou a observá-la, suas formas, curvas, como a claridade que entrava pela janela refletia em seu rosto.

O tempo parou no momento em que sentiu seu perfume, enquanto roçou de leve em seu corpo.

Ela não teve reação. Sentiu-se confiante, tocando em outras partes de seu corpo. Tirou sua blusa, estava sem sutiã. Ficou olhando seus seios por alguns instantes, como se aquele momento fosse durar para sempre. E não teve coragem para tocá-los. Talvez pelo frio repentino, ela se encolhe um pouco mais, deixando seus quadris intocados à mostra.

Com toda paciência, abaixa o short cor de rosa que estava usando, deixando na altura dos joelhos.

Calcinha minúscula com motivos infantis, e ele sorri: ‘Nabokov estava certo’ pensa afinal. Se aproxima em beijos, rápidos e estalados, enquanto, pelo tato, descobre sensações que nunca imaginou ter, enquanto sua respiração se iguala à dela.

Vai ganhando confiança aos poucos, e logo está completamente nu. Sente-se capaz de maiores façanhas, como se tivesse talvez certa dose de imortalidade. ‘Será que és virgem?’ diz entre os dentes.

Ao contrário do que talvez pudesse acontecer, decide que não fará nada além. Como se aquele momento fosse o único que devesse existir. A observa por alguns instantes e só tem seu pensamento interrompido pelo telefone que toca.

Ele tem que entregar uma encomenda que não pode ser postergada.

Depois que alguns dias, no tradicional final de semana em família, recebe um convite para celebrar o aniversário de 17 anos dela.

No cartão estava escrito: “Sim, eu sou virgem…” e logo abaixo “Mas adorei!”

Fim

Fleumático, sempre

10, dezembro, 2007 Carlos Filho Sem comentários

“Em meio às enchentes de emoções,

ainda me resta um fio de ar

para que eu

possa tentar

resistir”.

Parece até uma reação inconsciente, mas escrever por obrigação, aliás, fazer qualquer coisa dessa maneira, torna tudo mais difícil. E não é nem questão de desafio ou coisas assim.

Fato é que em uma resposta que recebi da Bia, e que na época nem me dei conta, para existir dentro da bolha dos blogs, a pessoa tem que se adaptar, e eu não gosto disso.

Significa que escrevo quando me der telha, sobre o que eu quiser, sem ter que me preocupar se vou ganhar algo com isso, sem tornar um lazer em trabalho.

É complicado, além de tudo, já que eu não tenho escrito praticamente nada em lugar nenhum, e mesmo que eu saiba que isso reflete um estado emocional, muitas vezes não quero ter que representar ou atuar em falsas atividades, ou agradar certas (e erradas) pessoas.

Só que ultimamente, representar é o que eu mais tenho feito.

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