A encontrou dormindo no sofá. Tinha ido a uma festa ontem e literalmente desmaiou, pelo estado em que estava. Se aproximou e passou a observá-la, suas formas, curvas, como a claridade que entrava pela janela refletia em seu rosto.
O tempo parou no momento em que sentiu seu perfume, enquanto roçou de leve em seu corpo.
Ela não teve reação. Sentiu-se confiante, tocando em outras partes de seu corpo. Tirou sua blusa, estava sem sutiã. Ficou olhando seus seios por alguns instantes, como se aquele momento fosse durar para sempre. E não teve coragem para tocá-los. Talvez pelo frio repentino, ela se encolhe um pouco mais, deixando seus quadris intocados à mostra.
Com toda paciência, abaixa o short cor de rosa que estava usando, deixando na altura dos joelhos.
Calcinha minúscula com motivos infantis, e ele sorri: ‘Nabokov estava certo’ pensa afinal. Se aproxima em beijos, rápidos e estalados, enquanto, pelo tato, descobre sensações que nunca imaginou ter, enquanto sua respiração se iguala à dela.
Vai ganhando confiança aos poucos, e logo está completamente nu. Sente-se capaz de maiores façanhas, como se tivesse talvez certa dose de imortalidade. ‘Será que és virgem?’ diz entre os dentes.
Ao contrário do que talvez pudesse acontecer, decide que não fará nada além. Como se aquele momento fosse o único que devesse existir. A observa por alguns instantes e só tem seu pensamento interrompido pelo telefone que toca.
Ele tem que entregar uma encomenda que não pode ser postergada.
Depois que alguns dias, no tradicional final de semana em família, recebe um convite para celebrar o aniversário de 17 anos dela.
No cartão estava escrito: “Sim, eu sou virgem…” e logo abaixo “Mas adorei!”
Fim
“Em meio às enchentes de emoções,
ainda me resta um fio de ar
para que eu
possa tentar
resistir”.
Parece até uma reação inconsciente, mas escrever por obrigação, aliás, fazer qualquer coisa dessa maneira, torna tudo mais difícil. E não é nem questão de desafio ou coisas assim.
Fato é que em uma resposta que recebi da Bia, e que na época nem me dei conta, para existir dentro da bolha dos blogs, a pessoa tem que se adaptar, e eu não gosto disso.
Significa que escrevo quando me der telha, sobre o que eu quiser, sem ter que me preocupar se vou ganhar algo com isso, sem tornar um lazer em trabalho.
É complicado, além de tudo, já que eu não tenho escrito praticamente nada em lugar nenhum, e mesmo que eu saiba que isso reflete um estado emocional, muitas vezes não quero ter que representar ou atuar em falsas atividades, ou agradar certas (e erradas) pessoas.
Só que ultimamente, representar é o que eu mais tenho feito.

Eu pensei em escrever um texto legal para essa quinta feira, mas aí lembrei que textos legais não são aqueles premeditados, mas sim os espontâneos. Na verdade, quando mais simples, melhor.
Depois disso, tentei arrumar algo que fazer, mas aí lembrei que uma pessoa eficiente nunca deixa suas tarefas para o final. Na verdade, as realiza ao longo do tempo, de forma a aperfeiçoar sua rotina.
Pensei também no que fazer amanhã, já que é dia das crianças, mas aí eu lembrei que não sou mais uma. Na verdade, nem filhos eu tenho.
Poderia sair com minha namorada, mas espera um momento… Eu não tenho nenhuma!
Lembrei-me que uma vez eu fui agraciado com o título de barão, que apesar de estar em desuso, a época medieval já acabou há tempos, as virtudes que tornam as pessoas nobres permanecem imortais.
Enquanto isso, fico com a gratificante idéia de ter pago £ 1,45 (algo em torno de R$ 5,50) pelo novo CD do Radiohead.
Mas ao mesmo tempo, já imagino o trânsito que vai ser mais tarde para voltar para casa.
Eu pensei certa vez em simular um país imaginário, mas a simulação foi tão fiel que o projeto me escapou pelos dedos.
Bati meu recorde… 20 e poucos minutos para escrever essas palavras.