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Ninguém me ama, sou emo, morri


Leia atentamente esse trecho da música “Olê, Olá” de Chico Buarque[bb]:

“Não chore ainda não, que eu tenho a impressão
Que o samba vem aí
É um samba tão imenso que eu às vezes penso
Que o próprio tempo vai parar pra ouvir
Luar, espere um pouco, que é pra o meu samba poder chegar
Eu sei que o violão está fraco, está rouco
Mas a minha voz não cansou de chamar
Olê, olê, olê, olá
Tem samba de sobra, ninguém quer sambar
Não há mais quem cante, nem há mais lugar
O sol chegou antes do samba chegar
Quem passa nem liga, já vai trabalhar
E você, minha amiga, já pode chorar”

Ela foi escrita no auge dos anos de chumbo, quando os militares já tinham feito toda a festa, nossas mentes brilhantes escondidas em algum país por aí, coisa e tal. Afinal de contas, não se podia permitir o avanço comunista no Brasil, eles comem criancinha, são barbudos e feios (até as mulheres).

Usando toda minha genialidade (oi mãe!) posso afirmar que Chico conversa com todos os perseguidos pelo novo regime, aproveitando para oferecer um pouco de, porque não, esperança, mesmo que contida, nos versos, pelo samba que já vai chegar. Por favor, leia “samba” como se fosse o fim da ditadura[bb].

Não sei qual idade vocês possuem, mas quando era mais novo, lá no período cretáceo, por não entender a complexidade e o uso que os artistas davam às suas obras, geralmente com chicotadas na lomba de algum general, evitava qualquer tipo de contato.

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vaca-emo

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É o que vejo hoje em dia, esse conflito de gerações, quando nossos jovens querem expressar sei lá o que e não sabendo como, se transformam em fãs alucinados do Restart[bb] ou Justin Bieber[bb] da moda, ou o tal do movimento emo.

Entretanto, anos atrás, existia o tal do inimigo comum e que deveria ser destruído a qualquer custo. Essa censura ajudou a desenvolver um viés artístico que não veremos igual nunca mais, ou vocês acham que letras como “Espero a Minha Vez” do NX Zero:

“Descanso agora, pois os dias ruins todo mundo tem
Já jurei pra mim não desanimar
E não ter mais pressa
Eu sei que o mundo vai girar
O mundo vai girar e eu espero a minha vez”

Na minha grande cabeça (e bota grande nisso), eu leio um conformismo generalizado, onde sempre se espera que algo ou alguém informe o que se deve fazer, como agir, o que comer e afins. Seria muito fácil se todos nós nos trancarmos em nossos quartos debaixo da cama, e torcer para que as coisas deem certo, mas amigos, isso não é verdade. Sinto lhes dizer.

Nós matamos a criatividade.


Voltando das férias


Imaginem a seguinte situação:

Férias Mini

“Sua filha volta das férias nos EUA, você – o pai preocupado – já imaginando tudo que ela e aquele namorado sebento que te chama de sogrão (antes de abrir a sua geladeira, e tomar aquele suco com a SUA caneca) fizeram de peripécias (afinal, já teve a mesma idade dele, entende o que é ter 129% de testosterona no corpo, coisa e tal), quando “sem querer” esbarra-se com sua câmera digital (que ela ainda não baixou as fotos). Também sem querer, olha, e após uns instantes, respira aliviado e agradece aos céus pelo genro ser tão sebento… (clique para saber o motivo)


Atenção você que é EMO, este post é para você!


Ultimamente, em virtude do Emo Day, tenho recebido muitas visitas de amigos e simpatizantes desse grupo.

Sempre tive por premissa que cada pessoa pode (e deve) fazer ou ser o que lhe convier, uma vez que pelo menos em tese, vivemos em um Estado democrático.

Só que tudo o que recebi de argumento contra o post, que diga-se de passagem, foi uma sátira (1), foram apenas reclamações sem sentido ou nada que valha a pena sequer dar atenção. Tanto que aprovei todos os comentários sem fazer seleção alguma.

Para não falarem que sou um féladamãe insensível, você que é emo, ou simpatizante ou defensor árduo da causa, entre em contato comigo, no vivendocidade arroba gmail ponto com.

Escreva (em bom português por favor, e não na merda do miguxês) sobre o que o movimento é, o que procura, de onde surgiram, quais foram/são suas influências, e tudo o mais que julgar necessário para que componha um bom direito de resposta. E mais importante: se identifique, assuma os riscos de tal!

Pois é, se não entendeu ainda, mula, é esse a causa/objetivo deste post.

Seja inteligente, afinal de contas, esta é uma tentativa para que vocês sejam ouvidos. Quem sabe assim não saiam do gueto?

(1) Eu satirizo mesmo, e não é por diversão ou maldade. Assim como todos os movimentos auto intitulados, entenda aqui comunismo, anarquismo, todos os ismos, similares e afins, é importante que ao menos quem participa do grupo saiba o que se defende.

Quem se auto intitula EMO, a meu ver, e de muitos colegas do meio acadêmico (na qual faço parte), sequer entende a si mesmo.

Infelizmente, e posso dizer sem remorso algum, 123% dos emos que conheci/conversei/tentei/etc. não sabem nem falar (ou escrever) no mesmo idioma que eu.