Não que eu queira falar mal dos aparelhos eletrônicos de maneira geral. Sem dúvidas um grande avanço tecnológico em nossos tempos. Eles são úteis, fáceis de usar, nossos parceiros em muitas ocasiões. Mas, observo que com o tempo, eles estão nos deixando mais preguiçosos e viciados. Aliás, fiz uma pesquisa empírica com dez colegas – mania de pesquisador – na universidade onde estudo, a pergunta foi a seguinte:
Se faltar energia elétrica em sua casa o que vai te fazer mais falta? E para a minha surpresa, as respostas seguiram na seguinte ordem: um pesquisado pensou no banho, dois ficaram preocupados com a segurança e conforto que a energia elétrica nos traz, – afinal, quem não gosta de enxergar bem? -, e sete pessoas responderam que sentiriam falta da internet, da televisão, do Orkut e do MSN (sim, como se Orkut e MSN não fizessem parte da internet).

Repetindo, 70% sentiriam falta da internet e, em segundo plano, da televisão.
Somos controlados e ao mesmo tempo controladores do uso do tempo. Na verdade, com a era da informática o tempo já não possui mais 24h, vivemos em tempo integral, não temos hora para começar e nem para terminar as nossas tarefas cotidianas.

Estamos insaciáveis, ávidos por tudo e por todos, posso assim dizer. Queremos saber as noticias e as temos em tempo real, – que nos autoriza usar o mesmo momento a partir de múltiplos lugares e todos os lugares a partir de um só deles -. Indiferentemente de onde estamos o que acontece do outro lado do mundo está sob as nossas lentes, ou dos ouvidos. Vivemos na tirania da informação.
Mas, o que não percebemos é que devido a essa pressa diante do novo, nos tornamos consumidores de uma informação manipulada, interpretada, formadora de opiniões. O que era para esclarecer confunde. As noticias perderam as suas características, as de informar meramente, pelo contrário, elas tentam nos convencer sobre algo, pessoas, vestimentas e tantas mais.
Interessante como cada geração cria a sua própria cultura. Na verdade, penso se faz um arranjo cultural entre as gerações passadas e as atuais, ensinamentos que passaram pelos pais, avós, tios e por aí se vai.
As décadas de 50, 60 e 70 representaram um momento de transformação de valores e costumes. Nasci no final da década de 50 e vivi a minha adolescência na década de 70, posso afirmar que a nossa adolescência tinha um tom de mudança muito forte, de rebeldia misturada às novas descobertas, digamos assim.
Era um desnudamento envolto de rebeldia, liberação sexual, drogas, danças sensuais, se assim posso definir, na verdade, queríamos nos libertar de alguma maneira dos hábitos dos nossos pais, dos preconceitos que nos prendiam dentro de um casulo. A ordem era dançar coladinho só para sentir um pouco daquele calorão que nos invadia dos pés a cabeça. Que delicia! Só de pensar em sexo já nos sentíamos extasiados, dominados pela sensação do prazer que ainda não tínhamos experimentado.