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Apple iPad e o campo de distorção da realidade de Steve Jobs

Ontem lançamento do iTab, o tablet da Apple.

Hoje, um dia após o lançamento, praticamente todas as centrais de notícias, blogs e pessoas do ramo em quase todos os cantos do planeta deram o devido destaque, seja positivo ou negativo. Teve até uma chamada no Jornal Nacional, um dos, senão o, noticiário de maior audiência do Brasil.

Uma questão prática, um dispositivo eletrônico lançado por uma empresa de tecnologia sozinho causaria esse estardalhaço todo?

O que vemos aqui não é este evento isolado, mas um ciclo que tem se repetido há muito tempo, que é a geração e manutenção do consumo.

Em poucas palavras, a sociedade de consumo em que vivemos é quem alimenta esses ‘cases’.

Desde os tempos do pós-segunda guerra, quando os norte-americanos se destacaram no controle político, social e econômico, cada vez mais as pessoas são convidadas a descobrirem necessidades que antes não existiam, e que de um dia para o outro, se tornam indispensáveis.

Ora, sabemos por Henry Murray, que “como a pessoa procura diminuir o estado interno de déficit, uma necessidade funciona como um impulso para determinados comportamentos. A intensidade de uma necessidade determina a intensidade do comportamento a que ela está ligada: quanto mais intensa a necessidade, mais intensa a ação”.

É por isso que as pessoas ficam malucas em eventos como o da Apple.

As empresas (governos, entidades, pessoas) sabendo disso, a cada ano que se passa, se tornaram especialistas em oferecer “algo que não existia antes e que hoje você não é capaz de viver sem”.

Dessa maneira, estamos em constante conflito, numa batalha contra nós mesmos, e que somos logo na partida, somos perdedores.

Bibliografia

KAHNEY, L. The Cult of Mac. San Francisco: Oreilly & Associates Inc., 2004 (comprar)
MURRAY, H. A. Explorations in personality. New York: Oxford University Press, 1938 (texto integral) – em inglês.