nova forma de amor em tempos de gripes endêmicas

poesia
Ah…se eu pudesse.
Se eu pudesse colher estrelas,
todo dia eu levaria uma para você.
Se eu pudesse chegar ao sol
eu pegaria um raio de luz só para você.
Se eu pudesse encontrar o pote do arco iris
eu daria todas as cores para você.
Eu faria isso tudo só por você!
Se eu pudesse chamar todos os passarinhos
eu os faria cantar para você.
Se eu pudesse construiria uma montanha só sua para
para que você descansasse mais perto do céu.
Se eu pudesse eu isolaria uma floresta onde só você
pudesse entrar, ir ao seu próprio encontro e respirar a paz.
Eu faria isso tudo só por você!
Se eu pudesse eu lhe levaria todas as alegrias
do Universo naqueles dias em que se sente triste.
Eu criaria um lugar especial feito só para você.
Um lugar onde você pudesse achar serenidade, estar só consigo
e se refazer dos seus cansaços.
Se eu pudesse apagar os seus problemas
eu usaria toda a minha força para faze-los desaparecer.
Eu faria isso tudo só por você!
… Mas não sei colher estrelas, não posso chegar ao sol
nem sei aonde está o pote do arco iris.
Não sei chamar os passarinhos
nem sou capaz de construir montanhas.
Não tenho licença para isolar uma floresta
nem posso livrar você de todos os problemas.
Mas eu sei que posso dar-lhe o que de mais forte existe em mim :
esta vontade de ver você feliz e de estar sempre aí …
… com você até o fim
observação: é a segunda vez que recebo uma poesia de presente de um anônimo. Neste caso de UMA. Gostei!
Acabo de ouvir o mais recente trabalho do aclamado Tintin do indie Americano, Zach Condon e sua trupe Beirut, o duplo-single “March of the Zapotec“, com as experiências de um tour pela região de Oaxaca, no México, e “Holland“, de viés mais eletrônico pré-Beirut, quando ainda se chamavam “Realpeople”.

A primeira metade pode ser facilmente confundida com um pôr-do-sol, e certamente deveria ser considerada como trilha sonora para algum filme mexicano. Com objetivo de voltar às suas origens do Novo México, Condon e sua banda viajam para uma pequena aldeia zapoteca em Oaxaca (México) e, com a ajuda de tradutores, escrevem suas 6 novas faixas.
E como se fosse um cartão postal mexicano, as músicas são cheias do folclore mexicano de culto aos mortos, onde cantam-se a os que foram para celebrar a vida. Inclusive, conta-se que álbuns músicos de grupos locais tiveram participação na instrumentação.
Se Gulag teve como inspiração os filmes de Emir Kusturica e Flying Club existe somente num globo de neve de Jacques Demy-Monde, Zapotech soa mais como uma versão latina do “Viajem a Darjeeling“, de Wes Anderson, na qual três irmãos que não se falam há um ano decidem realizar uma viagem de trem pelo interior Índia, na intenção de acabar com a barreira existente entre eles e também para auto-conhecimento, resultando em um trabalho muito original e sarcástico.
Na segunda parte, chamada Holland, e creditada a “Realpeople” (que por sinal o trabalho anterior de Condon), temos um som mais eletrônico metalizado, com bons e inteligentes arranjos, o que resulta em uma viagem ao passado oitentista de sua própria infância. É como se estivéssemos ao lado daquele que: ao mesmo tempo em que passa horas jogando Enduro no Atari, também tem coragem para juntar sua mesada para pagar alguns momentos com uma prostituta francesa. Esse disco foi totalmente gravado em sua casa, nos EUA.
No Brasil, Beirut ficou mais conhecido através da minissérie Capitu, baseada no Dom Casmurro de Machado de Assis, com Elephant Gun como tema principal de Bento & Capitu.
Set-list:
March of the Zapotec
1. “El Zocalo”
2. “La Llorona”
3. “My Wife”
4. “The Akara”
5. “On a Bayonet”
6. “The Shrew”
Holland
1. “My Night with the Prostitute from Marseille”
2. “My Wife, Lost in the Wild”
3. “Venice”
4. “The Concubine”
5. “No Dice”
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