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Textos com Etiquetas ‘poesia’

Curtas

nova forma de amor em tempos de gripes endêmicas

Curtas

poesia

Ah…se eu pudesse.
Se eu pudesse colher estrelas,
todo dia eu levaria uma para você.
Se eu pudesse chegar ao sol
eu pegaria um raio de luz só para você.
Se eu pudesse encontrar o pote do arco iris
eu daria todas as cores para você.
Eu faria isso tudo só por você!
Se eu pudesse chamar todos os passarinhos
eu os faria cantar para você.
Se eu pudesse construiria uma montanha só sua para
para que você descansasse mais perto do céu.
Se eu pudesse eu isolaria uma floresta onde só você
pudesse entrar, ir ao seu próprio encontro e respirar a paz.
Eu faria isso tudo só por você!
Se eu pudesse eu lhe levaria todas as alegrias
do Universo naqueles dias em que se sente triste.
Eu criaria um lugar especial feito só para você.
Um lugar onde você pudesse achar serenidade, estar só consigo
e se refazer dos seus cansaços.
Se eu pudesse apagar os seus problemas
eu usaria toda a minha força para faze-los desaparecer.
Eu faria isso tudo só por você!
… Mas não sei colher estrelas, não posso chegar ao sol
nem sei aonde está o pote do arco iris.
Não sei chamar os passarinhos
nem sou capaz de construir montanhas.
Não tenho licença para isolar uma floresta
nem posso livrar você de todos os problemas.
Mas eu sei que posso dar-lhe o que de mais forte existe em mim :
esta vontade de ver você feliz e de estar sempre aí …
… com você até o fim

observação: é a segunda vez que recebo uma poesia de presente de um anônimo. Neste caso de UMA. Gostei!

Meu Sol

MEU SOL

Meu Sol

Todo dia eu te vejo
E todo dia eu te perco
Mesmo que saiba por onde procurar
Já me falta ar para respirar, e me falha o desejo

Quero uma solução
Para poder viver sem coração
Que já não mais bate
Que já não mais existe

Se antes eu soubesse a criança que é você
Teria te pego no colo,
e cuidado de ti

Mas assim eu estaria errado
E ao meu lado o sol se apagaria
Pois você já não mais existiria

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Eu, seu

Um anjo, uma rosa,
Um rouxinol, uma deusa,
Uma estrela, uma artista.

Algumas eu não possuo
Outras não desejam…

Logo eu, ansioso que sou
Sem destino, sob suspeita.

Qual o ponto em comum entre vocês?

Se eu não as vejo
Ou outro alguém se aproxima:
Rosto corado, coração machucado.

Pensamentos de um dia cinza tão despenteados
Soltos jogados,

Como num dia de vendaval…

Sexta-feira poética: Meu Gesto

Meu Gesto

Fernando Pessoa

Meu gesto que destrói
A mole das formigas,
Tomá-lo-ão elas por de um ser divino;
Mas eu não sou divino para mim.

Assim talvez os deuses
Para si o não sejam,
E só de serem do que nós maiores
Tirem o serem deuses para nós.

Seja qual for o certo,
Mesmo para com esses
Que cremos serem deuses, não sejamos
Inteiros numa fé talvez sem causa.

Ricardo Reis (*1887 +1935)

in Odes de Ricardo Reis
Lisboa, Ática, 1946

A poesia de Ricardo Reis, um dos heterônimos mais conhecidos de Fernando Pessoa (*1888 +1935), é marcada pela elevação do ser ao estado que (hoje) entendemos como onírico. Em seus textos, tenta iludir o sofrimento resultante da consciência aguda da precariedade da vida.

Em resumo, ele simboliza a herança clássica na literatura ocidental, expressa na simetria, harmonia, um certo bucolismo, com elementos epicuristas e estóicos.

Entretanto, seria muito incompleto falar sobre Pessoa e sua obra em apenas poucas palavras, como é a nossa proposta. Mesmo assim, posso afirmar que sua obra foi influenciada por escritores tais Shakespeare, Edgar Allan Poe, John Milton, Lord Byron, John Keats, Percy Shelley, Alfred Tennyson, entre outros; e é tido por muitos (eu incluso), o maior escritor de língua portuguesa de todos os tempos.

Na sexta passada, falamos de Carlos Drummond de Andrade, e de seu poema “Cota Zero”. Confira!

A Uma Sonhadora

Pegadas

Em algum lugar sou como um punhado de areia
Que algumas vezes é levado pelo vento.
Sem nunca ter onde chegar, o destino que permeia…
Desejos e mudanças, sorrisos sem nenhum arrebatamento.

Posso separar-me em pequenos grãos
Mas não é dessa forma que tu sorris.
Neste dia quero juntar minhas mãos,
Pois sou forte, determinada, uma rosa feita de giz.

Me leve com você para um bom lugar,
Que seja bem tranquilo e pacato.
Mas não se esqueça de levar também o meu gato.

Sem ele eu não vivo.
Sem ele eu não quero ir.
Pois sem ele é como se o castelo fosse ruir.