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Sexta Feira Poética: Oração ante a Última Trincheira


É impossível deixar de falar em poesia, justamente nesse dia em que peço licença à todos os amigos dos outros cantos, sem citar o POETA DA REVOLUÇÃO DE 32.

Guilherme de Almeida (1890-1969), além de ter sido advogado, ensaísta, jornalista, tradutor e poeta, também foi um dos combatentes a qual homenageamos hoje; e mesmo que não saiba, já teve contato com alguma de suas obras, sendo a mais famosa a “Canção do Expedicionário“, hino velado dos nossos combatentes durante a Segunda Guerra Mundial.

Entretanto, com orgulho paulista, deixo suas palavras em uma poesia que faz muito mais sentido para nós no dia de hoje…

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ORAÇÃO ANTE A ÚLTIMA TRINCHEIRA Leia mais…


Sexta Feira Poética: José Saramago


José Saramago (1922-2010)

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Não poderia deixar de citar, nesta sexta feira poética, da importância da vida e obra do poeta português José Saramago, falecido nesta sexta feira.

Dono de um estilo único, a utilização de frases e períodos compridos, usando a pontuação de uma maneira não convencional. Os diálogos das personagens são inseridos nos próprios parágrafos que os antecedem, de forma que não existem travessões nos seus livros: este tipo de marcação das falas propicia uma forte sensação de fluxo de consciência, a ponto do leitor chegar a confundir-se se um certo diálogo foi real ou apenas um pensamento.

Podemos ver suas várias fáces a partir da diversidade de suas obras, desde romances como “Ensaio Sobre a Cegueira[bb]” e “O Evangelho Segundo Jesus Cristo[bb]“, teatro, contos, crônicas e poesias, as quais destaco a antologia “Provavelmente Alegria[bb]“, com poemas de sombra e de luz, entrançados, de uma elaboração feita através do seu próprio avesso, simultaneamente de mar e de trevas. (Diário de Notícias, 9 de Outubro de 1998)

A poesia de hoje é desse livro, publicado em 1970.

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EU LUMINOSO NÃO SOU

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Eu luminoso não sou. Nem sei que haja
Um poço mais remoto, e habitado
De cegas criaturas, de histórias e assombros.
Se, no fundo poço, que é o mundo
Secreto e intratável das águas interiores,
Uma roda de céu ondulando se alarga,
Digamos que é o mar: como o rápido canto
Ou apenas o eco, desenha no vazio irrespirável
O movimento de asas. O musgo é um silêncio,
E as cobras-d’água dobram rugas no céu,
Enquanto, devagar, as aves se recolhem.


Vejo Borboletas


Vejo borboletas
em todos os lugares
Quando menos espero
De mãos dadas em pares

Embaixo da cama
Atrás da porta
Surgem
E são sorrateiras

Procurando casa
Encontrando fogo
Saindo de seu casulo
Voam de capacete

Estarei em casa
Para quando chegarem

Imagem via attackedastoria:
colormestoked :o netheme:(via appleday)