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Sexta Feira Poética: Pueril


Na sexta poética de hoje, ao invés de falarmos de um fato ou pessoa conhecido, vamos analisar os itens que compõem uma boa poesia.

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Quando eu escrevo, por exemplo, não existe uma regra ou padrão definido, apenas palavras postas no papel uma depois da outra. Alguns desses trabalhos inclusive estão reunidos no meu livro “Se Perguntarem de Mim“, à venda aqui no site.

De qualquer forma, se você quer escrever poesia, não se atenha a nada do que se fala por aí, nem à esse texto (uia!). Escreva solto, fazendo rimas, versos livres, com estrofes estruturadas ou sem forma alguma.

Importante mesmo é se lembrar de que o texto deve passar algum sentimento, uma mensagem que fará a pessoa que lê pensar um pouco, pouco até demais em alguns casos, mas deixa pra lá.

Certa vez, fui desafiado a escrever, tendo apenas poucas palavras à disposição, e o que fiz? Optei pela possibilidade mais simples. Se lembrem disso.

Pueril

Chulé no pé
Pé de caju
Caju de castanha
Castanha é uma cor
Cor dos seus olhos
Olhos de ressaca
Ressaca de aroma
Aroma de chulé

(10/out/2007)

Outra coisa importante que devem se lembrar, é de escrever todos os dias, tanto quanto possível, sobre todos os assuntos.

Tenha um blog, há!


O Batizado


A encontrou dormindo no sofá. Tinha ido a uma festa ontem e literalmente desmaiou, pelo estado em que estava. Se aproximou e passou a observá-la, suas formas, curvas, como a claridade que entrava pela janela refletia em seu rosto.

O tempo parou no momento em que sentiu seu perfume, enquanto roçou de leve em seu corpo.

Ela não teve reação. Sentiu-se confiante, tocando em outras partes de seu corpo. Tirou sua blusa, estava sem sutiã. Ficou olhando seus seios por alguns instantes, como se aquele momento fosse durar para sempre. E não teve coragem para tocá-los. Talvez pelo frio repentino, ela se encolhe um pouco mais, deixando seus quadris intocados à mostra.

Com toda paciência, abaixa o short cor de rosa que estava usando, deixando na altura dos joelhos.

Calcinha minúscula com motivos infantis, e ele sorri: ‘Nabokov estava certo’ pensa afinal. Se aproxima em beijos, rápidos e estalados, enquanto, pelo tato, descobre sensações que nunca imaginou ter, enquanto sua respiração se iguala à dela.

Vai ganhando confiança aos poucos, e logo está completamente nu. Sente-se capaz de maiores façanhas, como se tivesse talvez certa dose de imortalidade. ‘Será que és virgem?’ diz entre os dentes.

Ao contrário do que talvez pudesse acontecer, decide que não fará nada além. Como se aquele momento fosse o único que devesse existir. A observa por alguns instantes e só tem seu pensamento interrompido pelo telefone que toca.

Ele tem que entregar uma encomenda que não pode ser postergada.

Depois que alguns dias, no tradicional final de semana em família, recebe um convite para celebrar o aniversário de 17 anos dela.

No cartão estava escrito: “Sim, eu sou virgem…” e logo abaixo “Mas adorei!”

Fim


Desafio


Certa vez, me perguntaram se eu conseguia escrever poesias sobre qualquer assunto. Respondi que sim, talvez.

Mas até então nunca tinha escrito nada, até que me lembrei disso recentemente.

Durante o Fantástico, no último final de semana, escolhi algumas palavras (aroma, caju, castanha, chulé, cor, olhos, pé e ressaca), e o resultado foi:

“Pueril”

CHULÉ no pé de cAJu De cASTANHA É UMA COR DOS SEUS OLHOS DE RESSACA DE AROMA DE CHULÉ…