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A contraposição entre magia e religião


O sociólogo francês de origem russa Georges Gurvitch (1894-1965) aborda na obra “A vocação atual da sociologia” o tema “A magia, a religião e o direito”. Inspirado na leitura desse texto vou tentar mostrar para os leitores do site qual seria a contraposição entre magia e religião.

Na introdução desse trabalho o autor aponta que muitos estudiosos de várias áreas, como etnólogos, sociólogos, historiadores, juristas, filósofos e teólogos, participaram de uma maneira muito ativa na discussão do problema da relação entre a magia e a religião nas sociedades arcaicas, assim como o das repercussões sociais da magia.

No entanto, segundo ele, o problema central dessa discussão ainda não teria sido resolvido, ou seja, não se chegou a um acordo nem sobre a possibilidade de traçar uma linha de demarcação precisa entre magia e religião, nem sobre uma determinação da função específica da magia na vida social, muito menos sobre precisar as suas relações com a técnica, a ciência, a moral e o direito.

magia

Gurvitch procura mostrar que a irredutibilidade maior ou menor da magia e da religião, geradas não só pela oposição de duas atitudes coletivas diferentes, mas também pela oposição de duas categorias fundamentais do pensamento dos arcaicos, que seriam o maná (que, de acordo com o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, tem o sentido figurado de alimento espiritual de origem divina; o que consola a alma) e o sagrado, constitui um aspecto essencial do pluralismo e da complexidade das suas sociedades.

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Os clássicos da religião e o nosso tempo 4/4


Ao longo destes artigos sobre pensamento religioso, vimos como se baseia o raciocínio do francês Émile Durkheim, do alemão Max Weber, do francês Pierre Bourdieu e do austríaco Peter L. Berger.

Finalmente abordarei a contribuição nesse campo do estudo desenvolvido por Antônio Flávio Pierucci no livro “O desencantamento do mundo: todos os passos do conceito em Max Weber”. Para ele o desencantamento do mundo, na medida em que vem definido tecnicamente como desmagificação da atitude ou mentalidade religiosa, é um resultado e produto da profecia, e é também fator explicativo do desenvolvimento sui generis do racionalismo ocidental, ao mesmo tempo em que é, ele mesmo, um processo histórico de desenvolvimento.

pierucci

Nesta obra Pierucci está empenhado em mostrar como a aparente proliferação de significados do termo “desencantamento” esconde um conceito construído com rigor e dotado de sentido bem definido e que nela despontam duas teses: de que o termo vai muito mais fundo do que a vaga noção alusiva a alguma perda ou mal-estar subjetivo, onde estamos diante de um conceito que faz parte de uma teoria maior e que foi construído para ajudar a explicar o mundo, não para lamentá-lo; e de que o conceito não se encontra inteiriço em todos os pontos e em todos os momentos da obra de Weber.

À luz desses cinco autores concluo que é a eterna busca da salvação que move este grandioso interesse pela religião e torna esse tema tão atual e debatido.


Os clássicos da religião e o nosso tempo 3/4


Continuando a saga sobre o tema religião, vamos ver hoje como se deu o pensamento de Pierre Bourdieu, cujo texto “Gênese e estrutura do campo religioso” aborda quatro grandes pontos: 1) os progressos da divisão do trabalho religioso e o processo de moralização e de sistematização das práticas e crenças religiosas, 2) o interesse propriamente religioso, 3) função própria e funcionamento do campo religioso e 4) poder político e poder religioso.

pierre-bourdieu

Neste estudo ele investiga a noção de campo religioso e mostra que foi o corpo de especialistas o grupo religioso que dentro da Igreja obteve o monopólio do exercício legítimo do poder religioso, ou seja, o monopólio da propriedade dos meios de produção e distribuição dos bens de salvação. Seu princípio fundamental é que não há salvação fora da Igreja.

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