Continuação do texto das cartas misteriosas que comecei a receber sem motivo aparente. Meus amigos, se soubessem o que sei, nunca mais andariam tranqüilos por aí…
A primeira parte deste relato verdadeiro pode ser encontrada aqui.
“Logo após esse dia, o dia em que realmente nasci para uma nova vida, confesso que pouco ou nada mudou em minha vida. Quer dizer, eu continuo odiando a maior parte das pessoas e suas vidas nojentas, mas não significa que comecei a voar ou algo assim. De fato, acho que passei a ser mais pensativo e calculista, o que até então não tive como ser…
Meu amigo Carlos, eu sei que o nosso futuro está mais amarrado do que nunca, assim como também sei que dará um bom andamento ao que confesso aqui. Não! Sei que neste instante pode estar pensando se algum dia vai me encontrar ou souber quem sou, mas não poderia dormir tranqüilo se tiver este conhecimento. Você dormiria?
Certo dia, há alguns anos, eu estava em um bar lá do centro da cidade pensando justamente no que todas aquelas pessoas lá também estariam pensando. É complicado, parece, mas nem tanto assim.
Porque se eu penso o tempo todo, todas as pessoas também o fazem, então é como se existisse uma nuvem densa de pensamentos em todos os lugares em todos os momentos.
Só sei que mais pro balcão, uma bunda me chamou a atenção (digo, não a minha atenção sexual, mas posso classificar como algo do tipo). Ela estava de luvas, fumava uma cigarrilha em uma ponteira enquanto se deliciava com seu destilado. Algo que não soube de momento o que era.
E ali, em meio a todos os meus pensamentos em relação aos pensamentos das pessoas, só consegui expressar a pior frase do mundo:
– Um centavo pelo que está pensando!
– Então me pague dois, porque estou a sonhar… Foi sua resposta imediata, e me chamou para acompanhá-la na bebida, que pude notar, algum tipo de vodca batizada com aguardente ou coisa assim.
Ela me disse que era casada com um produtor de televisão e por isso o motivo para usar luvas o tempo todo. Trabalhava como dublê de mãos em diversos comerciais e filmes.
Segundo sua história, tudo ia bem até que um dia seu marido se viu possesso de ciúmes pelas suas mãos e passou a proibir que ela trabalhasse, chegando ao ponto dela ficar presa dentro de casa por vários dias.
Enquanto me contava sua vida, duas coisas eu tinha em mente: que eu não tinha vida nenhuma para contar, e que esse cabra já estava na segunda hora extra de sua vida. E esse desejo aumentou ainda mais quando ela me contou que todas as noites quanto chegava em casa, uma bacia com químicos estava preparada para banhar seus dedos.
Como eu nunca pensei nisso antes! Perto desse cara, eu parecia um amador sem qualquer categoria, isso sim.
Só sei que logo me vi em seus braços perdidamente e mais: tão rápido eu arrancava suas roupas, mais ela pedia para eu ser bruto, que sentia prazer na dor sem limites.
E quem disse que eu iria ser carinhoso?
De qualquer forma, foi uma trepada mecânica, pois minha mente só pensava na bacia com químicos, e no que eu poderia fazer com aquilo.
Sem perceber, fomos surpreendidos e sem pensar eu pulei em seu pescoço e, preste bem atenção, a mordidas, fiz um belo estrago.
Oras, não pode existir alguém nesse mundo que fosse melhor do que eu!
Descobri mais tarde, que os vizinhos ouviram o barulho e chamaram a polícia. Claro que nem tive reação, mas só por apenas dois motivos:
1) Aquela filhadaputa desmentiu aos canas o que tinha contado sobre queimar as mãos, só percebi quando ela já estava sem as luvas…
2) Minha mãe estava certa! O sangue arterial ainda quente escorrendo pela minha garganta me deu um prazer que nunca encontrei algo que fosse sequer próximo!
Melhor pra mim, já que passei 4 anos preso com cerca de 5000 trastes e inumanos que, como eu, eram a escória dessa cidade…”
Olá amigos, esta semana me aconteceu algo muito diferente, para não dizer estranho. Há dois dias, recebi um pacote via correio, escrito apenas “C. Filho”; sem remetente ou nenhum outro indício que me pudesse desconfiar o que se tratava.
Claro que perguntei em casa e simplesmente sabiam menos que eu. Pelo jeito, alguém passou e jogou o embrulho dentro de um saco plástico portão adentro.
Enfim, vamos ver o que é pensei com racionalidade, mas ao ler as primeiras linhas daqueles papéis velhos soube que tudo aquilo não era meu, e eis que transcrevo parte do que li (com os mesmos erros e vícios originais). Continuo (espero, se estiver vivo, se nada mudar até lá, se este “ele” decidir se apresentar com mais vivacidade, etc.) semana que vem…
“Você deve estar pensando o motivo que eu decidi antes de tudo, escrever sobre a minha vida, e até mesmo o motivo pelo qual te escolhi para que pudesse dar o caminho que achar necessário para este conteúdo.
A verdade é que eu mato pessoas, sou um observador inato e vi em você algo que eu nunca tive e por isso acho que no fundo precisava de um amigo. Um alguém com quem ser eu mesmo.
Sobre ser um assassino, na verdade não foi por escolha minha, já que as primeiras lembranças que tenho da minha infância eram dos <<ovos cozidos>> que minha mãe tinha o costume de fazer. Na verdade, ela é o que chamamos viúva negra, mas ao contrário de simplesmente se livrar do meu pai, o deixou apenas como alívio sexual.
É como se fosse hoje, ela se arrumando e indo à caçada. Horas depois estava nos braços de um desconhecido qualquer, que logo iria ter seus testículos arrancados e preparados, tal qual se faz com ovos de granja ou coisa assim. Nesses momentos eu raramente estava fora do berço, que por um acaso era ao lado da cama…
Mas que ignomínia a minha! Conheço quase tudo sobre você, e sem querer fui desenrolando as palavras sem ao menos dizer meu nome. Sabe que uma pessoa como eu é conhecida por vários nomes, mas dentre todos o que eu mais gosto é Júlio da Rocha.
Acho que tenho cerca de 36 anos (sinceramente não sei quando nasci), aparento boa saúde e bom coramento de pele, apesar de já não a ter mais…
Sem contar apenas com o que eu herdei dos meus pais, ao longo da minha vida consegui (sem falsa modéstia) aperfeiçoar as maneiras de se fazer uma pessoa qualquer morrer. Comecei com animais já que era o que eu tinha mais à mão, mas logo senti a necessidade do desafio. Realmente ter em suas mãos alguém lutando por sua vida é algo indescritível.
Mas minha vida no crime teve seu début no momento em que consegui descobrir o mesmo prazer que minha mãe tinha ao se aproveitar de um homem mais desavisado. Lembro que removi com critérios quase cirúrgicos todos os pêlos do meu corpo, adaptei uma calça de mergulho com apenas um furo na frente… Bons tempos!
Não tenho como transcrever em palavras o momento que foi ter aquela vagabunda se debatendo para se livrar das minhas mãos em seu pescoço, enquanto a mantinha de quatro e socava com fúria seu cú todo rasgado. Só de pensar nesse dia, sinto o cheiro dela e a firmeza do meu pau se faz presente. Que dia!”