
Uma vez eu sonhei que o mundo não era redondo
Pensei e pensei, sem alguma solução.
Talvez quadrado, ou mesmo dentro de um forno
Tudo era confuso, sem nenhuma explicação.
As pessoas não se importavam,
Ou pelo menos fingiam que não.
Algumas delas oravam
E outras ficavam então.
Foi aí que te vi
Foi pelo que senti
E tudo teve uma explicação.
Não me importa mais o mundo não
Pois aquilo que sonhei
Agora, encontrei solução.

“Eu”, em grafite 4B sobre sulfite, por Darlene de Carvalho
Quando eu era pequeno, o primeiro contato com livros que tive foi através do Pequeno Príncipe, talvez o melhor livro que já li em toda a minha vida, mas com aquela idade nem imaginava o que era o teor de uma amizade, ou sequer era capaz de compreender um sentimento tão abstrato com este.
Acho que posso dizer que depois de todos esses anos, alguns dos livros que li me ajudaram a ser o que sou, se tal pretensão existir, mas algumas vezes ainda me vejo pequeno e cheio de medos, debaixo da cama, fugindo de algum fantasma que teima em aparecer de vez em quando.
Lembro do meu pai contando estórias de dormir, onde o lobo mau sempre repetia: “E vou continuar a tentar pegar esses porquinhos amanhã, porque está muito tarde e estou com muito sono…” Isso era incrível.
Vieram os livros didáticos, e junto com eles o desafio de sobressair em uma turma onde todos talvez fossem iguais, mas que no fundo eram muito diferentes. Dessa época eu gosto de lembrar dos meus primeiros amores, todos impossíveis e inalcançáveis, e dessa maneira, vi que a vida não é leve, muito menos fácil, como algumas vezes teimam em nos dizer.
Por favor, se você é uma moça no início da juventude, da fase das descobertas, nunca diga para aquele seu melhor amigo – que te é apaixonado, diga-se – que prefere gostar dele somente como companhia. Muitas vezes na minha vida ouvi essa frase, e posso dizer que ainda hoje todas elas me assustam a noite.
Uma vez eu li que o homem completo é aquele que tem alguém só para si, que pode ser levantado se cair, alguém para conversar e serem amigos. Sinto algumas vezes que tive alguma parte de mim roubada, e mesmo que eu procure alguma cicatriz, talvez demore muito para achar…
Correr com lobos? Acho que fugi deles por muito tempo e por isso nunca fui capaz de ver que eram realmente mansos.
As pessoas costumam dizer que suas vidas formam verdadeiros livros, e eu já fui uma delas. Tentei dar histórias de aventura, caça ao tesouro pirata, guerras espaciais, fantasias que fazem parte de nós. Mas hoje, olhando pra trás, o que criei não foi um livro.
Um embaralhado de palavras e histórias, sensações e vivências não pode ser somente um livro.
Talvez por isso que tenho me atrevido a deixar de olhar só para trás e tentar outras direções, muitas delas surpreendentes.
Percebi que as páginas da frente estão todas brancas, caneta em punho, esperando por mim…

Em algum lugar sou como um punhado de areia
Que algumas vezes é levado pelo vento.
Sem nunca ter onde chegar, o destino que permeia…
Desejos e mudanças, sorrisos sem nenhum arrebatamento.
Posso separar-me em pequenos grãos
Mas não é dessa forma que tu sorris.
Neste dia quero juntar minhas mãos,
Pois sou forte, determinada, uma rosa feita de giz.
Me leve com você para um bom lugar,
Que seja bem tranquilo e pacato.
Mas não se esqueça de levar também o meu gato.
Sem ele eu não vivo.
Sem ele eu não quero ir.
Pois sem ele é como se o castelo fosse ruir.