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A Eucaristia por J.R.R. Tolkien


Muitos já leram essa citação nas cartas de Tolkien, outros nem tanto, mas sempre é bom ler pela primeira vez ou reler este trecho, principalmente aqueles que acusam Tolkien de ser contra Deus, ou qualquer coisa assim.

“A única cura para o alquebramento da fé débil é a Comunhão. Apesar de sempre em Si próprio perfeito e complexo e inviolável, o Sagrado Sacramento não opera completamente e de uma vez por todas em qualquer um de nós. Como o ato de Fé, ele deve ser contínuo e cultivado pelo exercício. A frequência é o maior efeito. Sete vezes por semana é mais acalentador do que sete vezes a intervalos. Recomendo também isto como um exercício (infelizmente muito fácil de se encontrar a oportunidade para tal): faça sua comunhão em circunstâncias que afrontem seu gosto. Escolha um padre fanho ou gago ou um frade orgulhoso e vulgar; e uma igreja repleta da usual multidão burguesa, com crianças malcomportadas – daquelas que gritam àqueles produtos de escolas católicas que no momento em que o tabernáculo é aberto recostam-se e bocejam – , jovens sem gravata e sujos, mulheres de calças e frequentemente com o cabelo despenteado e descoberto. Vá à Comunhão com eles (e reze por eles). Será exatamente (ou melhor) como uma missa conduzida por um homem visivelmente santo e compartilhada por algumas pessoas devotas e decorosas. (Não poderia ser pior do que a bagunça da alimentação dos Cinco Mil – após a qual [Nosso] Senhor propôs a alimentação que estava por vir.)”

trecho da Carta 250 para Michael Tolkien, de 01 de novembro de 1963, págs. 321-322

As Cartas de J. R. R. Tolkien / organização de Humphrey Carpenter, com assistência de Christopher Tolkien; tradução de Gabriel Blum Oliva. – Curitiba: Arte e Letra Editora, 2006.


Em um buraco no chão vivia um Hobbit


Tokien

Com essas palavras, escritas no verso de uma prova acadêmica de algum aluno seu, Tolkien deu início ao maior épico já visto.

Mesmo quem nunca leu algum livro na vida, ou não goste do tema ou qualquer motivo, na minha opinião, deveria ler pelo menos uma vez algum dos dois únicos livros publicados sobre a Terra Média.

Verdade, somente o Hobbit e o Senhor dos Anéis chegaram a ser livros e publicados; o primeiro, como um conto de fadas recheado com pitadas de uma nova mitologia escrita por ele, e mais de dez anos depois, a sua continuação, na verdade os livros são de 1937 e na passagem de 1954-55, respectivamente.

Só pelo fato do Senhor dos Anéis ser um dos cinco maiores livros da história do século XX, e um dos dez mais vendidos de todos os tempos já mereceria nossa atenção, certo?

Bom, toda a falação é só para dizer que depois de quase 10 anos (uia!) voltei a ler toda a minha coleção (O Silmarillion, Contos Inacabados de Númenor e da Terra Média, O Hobbit e O Senhor dos Anéis, nessa ordem), que são todos os que tenho.

Cabe um lembrete: meu aniversário está chegando e adoraria completar minha coleção tolkieniana, com Os Filhos de Húrin (que assim como Silmarillion e Contos Inacabados, contém versões, rascunhos e textos inacabados sobre toda a mitologia).

Além do imprescindível “As Cartas de J. R. R. Tolkien” com mais de 300 correspondências dele com seus fãs sobre a mitologia.

E os outros três livros não terramedianos, Sobre Histórias de Fadas (onde ele analiza as fábulas em geral), Roverandom (sobre um cachorro chamado Cachorro) e Mestre Gil de Ham (sobre as idas e vindas de um dragão chamado Chrysophylax que é amansado pelo Mestre Gil).

Para terem idéia do conteúdo do texto e suas palavras, segue um trecho do Silmarillion que reli hoje, fala sobre a beleza das letras:

Manuscrito

“… É que da bem-aventurança e da alegria na vida há pouco a ser dito enquanto duram; assim como as obras belas e maravilhosas, enquanto perduram para que os olhos as contemplem, são registros de si mesmas; e somente quando correm perigo ou são destruídas é que se transformam e poesia…”

Por favor, leiam!