O Brasil está há muito tempo, em uma verdadeira guerra civil, mas não uma guerra como as que conhecemos, com lados organizados, e motivos bem definidos. Vivemos numa guerra de vários temas, contra a violência, contra as drogas, contra a exploração do sexo, e muitas outras ao mesmo tempo.

Enquanto este texto é escrito, grupos da morte estão em ação no interior do país, fazendeiros que na ânsia de terem mais dinheiro e poder matam sem dó militantes em prol dos direitos humanos; padres e freiras que denunciam casos de trabalho escravo, a derrubada da floresta e tantos outros crimes.
É como dizem, o modo de vida moderno incentivou as pessoas a quererem ter tudo, fazendo o mínimo possível para isso, em um complexo esquema de vida fácil, sombra e água fresca.
Uma a cada 4 mulheres relatam maus tratos durante o parto, é o que mostra pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo em conjunto com o SESC. Os dados integram o estudo “Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado”, realizado em agosto de 2010 e divulgado agora.
Pela primeira vez no Brasil, e a partir de entrevistas com mães de 176 cidades em 25 estados, foi quantificada a incidência dos maus-tratos contra parturientes.
O resumo da pesquisa pode ser visto no iconográfico abaixo:
O que esse gráfico não mostra, entretanto, é que quanto mais jovem, mais escura e mais pobre, assim como menor a cidade, maior é a incidência de violência no parto.
Fonte: Folha
Continuando nossa semana temática sobre os 20 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente, impossível não citar justamente as mudanças do mundo dentro desse mesmo período, e o como a lei acabou se tornando obsoleta em certos aspectos.
Por exemplo, ela não prevê situações de transferência e guarda de imagens e vídeos de menores, ou mesmo os casos de assédio sexual a que as crianças estão sujeitas nos chats e comunicadores instantâneos por aí.
Outro ponto nevrálgico (calma bambini, o tio explica: nevrálgico vem de nevralgia, que nada mais é do que a dor em um nervo ou suas ramificações. Dor de dente por exemplo) da lei é entender que o adolescente está em processo de formação deve ser acompanhado pelo estado, sem fazer distinção entre os menores que são bandidos, dos que não são.
Hoje em dia é muito fácil para qualquer crime organizado ter em seu grupo um ou dois menores, já que na hipótese de serem presos e acusados, estes é quem vão assumir toda a autoria dos crimes.
É o que o ator Juca de Oliveira chama de “assinar as caravelas“.
Pois bem, depois de assinarem, os menores vão para as casas de assistência (Fundação Casa, Lar do Menor, FEBEM, a gosto do freguês) e ficam lá por no máximo três anos.
Sem fazer generalismos, mas esses lugares são chamados de faculdades do crime por algum motivo.
Fato é que esses lugares são herança da ditadura (foram criados pela primeira vez em 1976) e está mais do que claro que o modelo é ineficiente, inclusive para os adultos.
É preciso ter noção das causas que levam nossas crianças para o crime, como a falta de condição mínima de moradia, desemprego e a violência em geral, principalmente aquela silenciosa, que acontece dentro de casa, escondida dos olhos das pessoas.