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Reflexões: a criança, a vaca, a cidade

“A verdadeira imagem do passado perpassa, veloz.
O passado só se deixa fixar como imagem que relampeja irreversivelmente,
no momento em que é reconhecido.”

Walter BenjaminEm meio aos mais variados assuntos rascunhados que tenho, e que trabalho vez ou outra, os que se relacionam diretamente com a proposta do blog são o que me dedico mais, não só por razões óbvias, mas também porque acredito que possamos abrir nossas mentes para novas idéias e sensações, que infelizmente vejo as pessoas perderem por aí.

E neste sentido, claro, que é incontestável a influência do filósofo alemão Walter Benjamin (1892-1940). É dele a epígrafe que abre essa postagem, a inspiração do título, bem como a imagem aí ao lado.

Nesta madrugada, a título de ilustração, um conhecido (não necessariamente homem ou mulher) me adicionou no comunicador instantâneo (que normalmente quase não uso, também por razões óbvias), e a cada pergunta sua – resposta minha, replicava com chatices, e um sarcasmo muito mal elaborado.

Em dado momento, me escreveu que eu era o culpado por aceitar o contato, tanto no comunicador, como naquele outro site famoso de relacionamentos.

Esse é o primeiro fator, guardem aí em algum canto.

Hoje mais cedo, enquanto ouvia o podcast do Fim de Expediente, que na verdade é um programa da CBN paulistana, os apresentadores comentavam que em todos os jornais, todos os dias por semana, a média é que a cada quatro páginas de notícias, duas outras de lançamentos imobiliários.

A questão desses inúmeros lançamentos pode ser caracterizada por quase todos os empreendimentos conterem um grande espaço/área para lazer, que até então deveria haver no próprio meio em que eles vivem.

É quase como se o morador abrisse mão de sua qualidade de vida para que naquela bolha, tivesse tudo o que precisa para que “não precise” entrar em contato com esse outro mundo a qual se tornou a cidade.

Ainda sobre os novos apartamentos, tentando ilustrar o tamanho da coisa, um deles possui um mini shopping dentro da área do terreno.

Lembram daquele primeiro fator aí em cima? Pois então, o que percebo hoje (e há alguns anos), é a mudança do conceito que temos por público e o que é privado. Pois se eu preciso de um intermediador que me aproxime de outra pessoa para que eu possa bater um papo, conhecer pessoas, estudar, ou sei lá mais o quê, como será daqui pra frente?

No exemplo do Shopping Center, na verdade vamos a um lugar conceitualmente privado, para encontrar coisas conceitualmente públicas, sejam praças, lojas, cinema, restaurantes, etc. Mesmo assim, um lugar aparentemente fora de nossa bolha particular. Agora nem sair de casa precisaremos mais.

No futuro, compartilhando com a opinião de um dos apresentadores, “nós somos de uma geração que praticamente não conhece vaca. Nossos filhos vão crescer sem saber o que é uma pessoa.”