Não sou muito fã de TV aberta, isso é verdade. Mas quando as principais emissoras estão em uma briga aberta pela nossa atenção, é verdade que dali não deve sair nada de bom.
Comparemos as ofertas em show de realidades: Big Brother, Global; A Fazenda, do Bispo; Solitários, do Señor…
O primeiro, grande divisor de águas por colocar pessoas comuns em situações cotidianas, como em um comercial interminável, e que podemos ver o que há de pior no ser humano.
Em nove edições brasileiras, não tivemos a capacidade de assumir nossa natureza idiossincrática que censura um seio parcialmente exposto em horário nobre, e este mesmo vídeo ser o campeão de pageviews e downloads horas mais tarde.
Sugiro que na próxima edição, a casa seja em uma praia de nudismo. Assim economizaria minha banda de internet, além de ser meio caminha andado para o que as pessoas realmente querem ver, e o que eles querem realmente mostrar.
Já os bispos apostam na versão sueca, onde urbanoides conhecidos (ou nem tanto assim) ralam por alguns meses em tarefas que nossos avós passaram a vida inteira fazendo, e mais, ganhando milhares de vezes mais que eles.
Se tivesse surgido antes da metade do século passado, não faria sucesso algum, já que grande parte da população brasileira morava no campo, quase como uma versão nacional do programa.
Caçula dessa enseada, Solitários que estreou para todo Brasil ontem no Sistema Brasileiro de Televisão, conseguiu resumir em uma hora, tudo o que há de pior no quesito “experimento social”, e com um tremendo mal gosto.
Com destaque para:
- Cenários inspirados no cinema/literatura distópica, de Blade Runner e o Quinto Elemento;
- Pessoas que se chamam números, são do Prisioneiro, série Cult inglesa dos anos 1960;
- Val, o computador que nem de longe, se parece com o HAL 9000 de Arthur C. Clarke.
O que sai de tudo isso, algo muito ruim, e por um prêmio ridiculamente inferior ao oferecido pelos seus primos ricos.
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