A evolução das sociedades, seguindo as tendências gerais de sobrevivência (produção e consumo), pode ser vista sob a forma de ciclos ou ondas.
Na escola vimos que saímos da simples troca de coisas segundo a necessidade, artesanato, industrialização, conforme mostra o gráfico a seguir:
Podemos notar que na primeira onda, as pessoas consumiam e produziam, sem se relacionarem (em termos) umas com as outras, era o ciclo fechado da cadeia de produção.
Com o passar do tempo, este ciclo foi se abrindo, de maneira que cada vez mais se viu a necessidade de encontrar novos povos e caminhos, e através deles, o estabelecimento de novas rotas – sociais e comerciais.
Já deve ter ouvido falar que os persas e depois os romanos prosperaram porque construíam estradas? Ou mais adiante, do período de navegação durante o final da Idade Média?
Pois é, sabemos que a necessidade é uma grandeza sem fim, e que à medida que ela vai sendo suprida, novas necessidades vão aparecendo, e desde sempre as pessoas se viram buscando nada mais do que recursos que suprissem isso.
Mas vamos saltar no tempo e chegar aos anos 40 do século passado, logo após o final da Segunda Guerra Mundial.
Já falamos em outra ocasião do fenômeno do “baby boom“, que foi o surto populacional causado pelo retorno dos soldados do campo de batalha, e como essas crianças influenciaram – por terem nascido em um mundo onde o consumo e o hedonismo eram cada vez mais incentivados, as gerações seguintes.
Os baby boomers, como são chamados estiveram (ainda estão, mas em declínio) nos principais postos de influência nos últimos 50 anos. Michael Jackson, Donald Trump, George W. Bush por exemplo, foram/são baby boomers. O presidente Obama também.
Como já falamos de algumas características dessa geração no artigo anterior, vamos tentar focar essencialmente nas mudanças que a próxima geração tem nos mostrado.
Quem nasceu dentro das chamadas gerações X e Y (final dos anos 1970 até meados da década seguinte) está de certa forma há cerca de uma década no mercado de trabalho, e percebemos uma enorme quebra do paradigma anterior, ou seja, nós viemos e mudamos tudo!
A relação e transmissão de conhecimento hoje é muito mais íntima e segmentada, ao contrário da produção de massa nos anos anteriores. E da mesma forma, continuamos a produzir e consumir da mesma maneira que nossos ancestrais.
Só que de uma maneira bem diferente: produzimos e consumimos a partir do conhecimento compartilhado entre as pessoas de um determinado grupo, dando o mesmo valor para cada uma das contribuições e ainda, privilegiando a aproximação entre elas.
É o ditado popular que “se não existe algo que quero, desenvolvo eu mesmo e divido com o restante das pessoas”.
Quando essa postura se encontra com o antigo, acontece o choque. E é uma luta sangrenta onde o antigo sempre vai perder.
Lembram dos jornais de papel que mesmo sendo diários, não são atualizados o suficiente? Pois é.
Alvin Toffler, autor do livro “A Terceira Onda” publicado no Brasil em 2001 pela editora Record, nos dá um novo conceito, o do PROSUMER (prossumidor em português).
Esse neologismo, assim como vivendocidade, é a junção de duas palavras distintas que visam dar sentido a um conceito originalmente inexistente ou ineficiente.
Nossa vivendocidade, é fazer parte do mundo em que se vive, interagindo com ele e modificando-o à medida em que as situações vão se apresentando.
O Prossumidor, união de produtor (ou profissional) e consumidor nada mais é do que a conceituação de tudo aquilo que escrevemos ao longo deste artigo, e dos anteriores. É a pessoa capaz de deter o poder na cadeia de suprimentos, determinando quais características um produto ou serviço deve ter, ou até mesmo o que deve existir ou deixar de.
De fato, podemos afirmar que não é um conceito novo ou quem sabe, que pega carona em outros conceitos como a customização por exemplo. Entretanto a terceira onda está fortemente baseada na importância deste conteúdo de e para as pessoas.
Conceitos como relevância, aderência e autoridade (sabe o Pagerank? então…) atuam hoje em dia como um poder a mais na definição de valor de qualquer produto ou serviço. E redes sociais como um todo são essenciais para essa composição de valor agregado.
Pelo simples fato de que através delas, circulam as opiniões e contribuições que os prossumidores tomaram o hábito de procurar antes de tomar qualquer decisão, quando removidos os ruídos, que atendam às suas necessidades pessoas dentro do valor máximo que estão dispostos a pagar.
Dessa forma, nem sempre o melhor produto que sua empresa tem, ou até mesmo o mais caro, pode ser o ideal.
Se você lei até aqui, notou que a transição para a Terceira Onda é inevitável. E com ela os inúmeros problemas pontuais, como desemprego iminente a curto prazo, ao menos aquele onde se bate cartão de ponto todos os dias, e mesmo que os governos ocultem esse fato com programas sociais de inclusão, pressão dos sindicatos, a tendência é o colapso.
Pelo menos para as economias (e empresas) da Segunda Onda.
Conseguimos então fechar o ciclo, com um enorme setor econômico baseado em produção para uso, muito mais do que produção para troca, um setor baseado em faça-para-si-mesmo, (de preferência para o mercado).
O que virá no futuro? Quem liga?
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Pô garotinho, vale citar a fonte né não! rsrsrs
Gostei do que li.