Trânsito nosso de cada dia
Quem mora em grandes cidades possui um grande amigo, presente em quase todos os momentos de seu dia a dia, chamado trânsito.
Esta “entidade” é capaz de fazer nosso humor ir de uma ponta a outra em questão de segundos, ao mesmo tempo em que nossos veículos não se movimentem um metro que seja.
Parte dessa situação é a carência estrutural que as cidades passaram a ter com sua própria evolução natural, iniciativas em obras públicas com pouco ou nenhum planejamento, inclusive em opções de transporte, facilidades nos financiamentos e consórcios… Isso para citar os motivos mais comuns, as quais tentaremos entrar em detalhes no decorrer deste artigo.
As cidades portuguesas nas terras de cá (arrisco a afirmar até as de lá), como se sabe, não possuíram um planejamento de traçado para seus caminhos e passeios, casas e habitações de todos os tipos que surgiam com a mesma facilidade em que desapareciam, fizeram com que nossas vias fossem mais estreitas, tortuosas e confusas para um observador externo.
Segundo Jorge Gaspar, da Universidade de Lisboa, “por possuírem caráter essencialmente defensivo, desenvolvem-se a partir de uma posição topograficamente saliente, para depois descer para os terrenos menos acidentados”.
No ponto mais alto, normalmente a representação do poder local, seja ele civil ou religioso (quem já percorreu a Estrada Real entre Rio de Janeiro e Minas Gerais, sabe o que estou falando).
Ocorre que com o passar dos anos, com o crescimento populacional, econômico e social, esta modalidade urbana não foi capaz de suportar o ônus trazido com eles, e para resumir cerca de 150 anos, tivemos a criação dos cortiços, esgotos mal protegidos, e um sem número de fatores que deixavam as pessoas nas piores condições possíveis.
Os governantes, por direito representantes de todos nós no desempenho da atividade de ‘cuidar’ e ‘proteger’ o grupo, no caso cidade como um todo, nem sempre possuem uma consciência da coisa pública, ou seja, trabalham em favor diferente dos seus próprios, e vez ou outra acabam investindo mal em opções de locomoção, ou mesmo abandonam os meios que existem em caráter insuficiente.
Aqui em São Paulo, no dia 17 de setembro, aconteceu a Quarta Edição do Desafio Intermodal, que consiste basicamente, em verificar os tempos de viagem dos tipos de veículos durante o horário de maior rush.
Saindo da Praça Gal Gentil Falcão em direção à Prefeitura (algo em torno de 15 km), a partir das 18h, somente o ciclista conseguiu chegar com tranquilidade, às 18h22.
Após o ciclista, chegaram um motociclista, um bike courrier (ciclista de entregas rápidas), um helicóptero, um ciclista experiente, um “ciclista iniciante por vias alternativas” e um motoboy. O homem que foi correndo chegou quase quinze minutos antes do carro, que demorou 1h22m.
(eu faço questão de grifar essa parte, leiam comigo -> “o homem que foi correndo chegou quase quinze minutos antes do carro”)
Mais detalhes, como os tempos e análises de cada veículo, na página do CicloBR (aqui)
Bibliografia
GASPAR, Jorge, A cidade portuguesa na Idade Média: Aspectos da estrutura física e desenvolvimento funcional, in La ciudade hispânica durante los siglos XIII al XVI. Ed. Universidad Complutense Madrid, 1985.
Pesquisado em 06/out/2009 – ler
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