Vampiros como devem ser


letrightonepostCoincidentemente ou não, há meses não vejo um bom filme[bb] de terror ou vampiros[bb], desde quanto meu Google Reader atualiza com a resenha para Deixe Ela Entrar (Låt den Rätte Komma In) feita pelo Judão.

Depois de ler várias notícias e comentários sobre este filme sueco de 2007, finalmente pude conferir neste feriado o porque de tamanha aclamação.

Se você espera encontrar neste filme a mesma sequência batida, repetida ao longo dos anos no cinema e em adaptações como “Drácula de Bram Stoker”, ou o estilo punk gótico de “Crepúsculo[bb]“, “True Blood[bb]” ou “The Vampirie Diaries[bb]“, esqueça.

Este filme não é para você.


Cheio de detalhes, o filme aprofunda uma relação que o livro “Entrevista com o Vampiro[bb]” de Anne Rice apenas cita, que é o como ser um imortal estando preso em um corpo infantil, no caso citado, a vampira Claudia (interpretada nos cinemas por Kirsten Dunst).

No filme (que é um roteiro adaptado do livro de mesmo nome), conhecemos garoto Oskar, filho de pais separados que mora com sua mãe no subúrbio de Estocolmo, nos idos de 1982. Em sua solidão[bb], acaba conhecendo a menina que mora no apartamento ao lado, que parece não sentir o frio das noites, onde acontecem seus encontros.

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Num dos primeiros diálogos entre os dois, notamos a inocência do garoto:

Oskar: Quantos anos você tem?
Eli: Doze… mais ou menos
Eli: E você?
Oskar: Doze anos, oito meses e nove dias. O que quis dizer com “mais ou menos”?
Oskar: Quando é seu aniversário?
Eli: Eu não sei.
Oskar: Você não comemora seu aniversário? Seus pais… eles devem saber.
Eli: [Eli olha para o chão]
Oskar: Então você não ganha presentes de aniversário, não é?
Eli: Não.

E mais tarde, a perda dela:

Oskar: Quem é você?
Eli: Eu sou como você.
Oskar: O que você quer dizer?
Eli: [em tom de acusação] O que você está olhando? Hein?
Eli: Você está olhando para mim?
Eli: [aponta o dedo para Oskar] Então grite! Esquilo!
Eli: Estas foram as primeiras palavras que ouvi você dizer.
Oskar: Eu não mato pessoas.
Eli: Não, mas você gostaria. Se pudesse… Para se vingar. Certo?
Oskar: Sim.
Eli: Oskar, eu faço isso porque tenho que fazer.
Eli: Me entenda, por um momento.
[pausa]
Eli: Por favor, Oskar… Me entenda, por um instante.

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Outra cena intrigante é a do vidro[bb] que os separa. Recurso mais do que simples, mas que pode ter um significado infinito.

Não vou contar mais com medo de estragar a sutileza com que os assuntos vão sendo jogados na tela, mas recomendo que vejam sem sombra de dúvidas.

Afinal de contas, dizem que a “solidão é superestimada”.

Nota: 9/10

Trailer:

Para quem já viu: “traço-ponto-ponto-ponto, ponto, ponto-ponto, ponto-traço-traço-traço, traço-traço-traço”

Ficha técnica:
diretor: Tomas Alfredson
roteiro: John Ajvide Lindqvist
fotografia: Hoyte van Hoytema nsc, fsf
montagem: Dino Jonsäter, Tomas Alfredson
música: Johan Söderqvist
elenco: Kåre Hedebrant, Lina Leandersson, Per Ragnar, Henrik Dahl, Karin Bergquist, Peter Carlberg
produtor: John Nordling, Carl Molinder

110 minutos; color, 35mm

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